Opinião

Os três Duques

O futebol português está em perigo. A Liga Profissional de Futebol gerida por Luís Duque, entregou aos árbitros a gestão de ativos publicitários sem consultar os clubes. São milhões de euros que fazem falta à continuidade das competições que podem estar perdidos para sempre.

DUQUES DE OUROS

Foram cinco sem resposta. A seleção de portuguesa de futebol fustigou a da Alemanha como se nunca tivesse havido história. Vingámos as derrotas anteriores (e foram muitas) como se o rei da Prússia, o terceiro Reich ou a senhora Merkl não passassem de um bando insetos que se esmagam na preguiça da comichão. Viva! Lusitanos outra vez! Viriatos! Fosse todo Portugal como os nosso jovens futebolistas e outro galo cantaria. Não haveriam Troikas que nos vergassem!

Mas o futebol português, que gostarmos de acreditar que é um dos melhores do mundo, não passa de um ídolo com pés de barro. Se esquecermos os brilharetes dos mais novos e alguns raros exemplos de sucesso internacional -nas últimas décadas quase exclusivamente triunfos europeus do Futebol Clube do Porto e algumas proezas individuais de atletas e treinadores - dentro das nossas fronteiras, o futebol pátrio e as instituições que o representam - Liga, clubes, associações - são geralmente incompetentes ou pior ainda.

Com exceção da performance da Federação Portuguesa de Futebol, que capitaliza o bom trabalho que os jogadores portugueses fazem, sobretudo além fronteiras e não tem de organizar nenhuma competição profissional, tudo o resto são más notícias.

Quando se trata de gerir um dos maiores e mais globais espetáculos mediáticos - e um dos maiores negócios do mundo - de forma minimamente profissional não há Ronaldo que nos salve. Os Eusébios transformam-se em Duques e os Mourinhos em Godinhos. Se não fossem os putos a dar o bom exemplo esta semana, do nosso futebol nada se aproveitaria.

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DUQUE DE PAUS

O Jornal de Notícias contou a história de como o atual presidente da Liga de Futebol, Luís Duque, antigo sportinguista (agora processado pelo seu próprio clube) e ex-autarca (também a braços com a justiça no âmbito do caso BPN desde os seus tempo de vereador na Câmara Municipal de Sintra), alienou parte das receitas publicitárias da Liga cedendo-as aos árbitros alegadamente para evitar a ameaça de greve que os juízes fizeram nas últimas cinco jornadas dos campeonatos do ano passado. Como não conseguiu arranjar a publicidade - competência da direção - Duque, declarando-se incompetente - doou o ativo aos outdoors - que neste caso eram as mangas das camisolas dos árbitros cujos direitos comerciais pertenciam à liga. É caso para dizer que se foram os anéis e os dedos.

Os 3,5 milhões de euros que a Liga recebeu (só pela publicidade nas mangas dos árbitros) entre 2005 e 2013 e que ajudaram a pagar o alto custo da arbitragem durante anos, são agora uma miragem. E nas duas últimas épocas, onde não houve nenhum patrocínio, o custo com a arbitragem ainda aumentou: 690 mil euros contra zero de receita. Há até quem diga que, com tanto poder negocial, um destes dias podem ser os árbitros a vender as mangas na camisola dos jogadores. Quando são os "empregados" a mandar, é o PREC no futebol!

O DUQUE DE ESPADAS

O problema é simples de descrever: tecnicamente falida, a Liga, sem perspetivas de mudança e com uma liderança frágil não consegue atrair sponsors ou investidores; sem dinheiro ficam em risco a qualidade, a verdade desportiva, a competitividade e a reputação do futebol profissional português. É urgente criar essa credibilidade.

Para um país que consegue formar jogadores e treinadores com a qualidade dos nossos quase dá vontade de perguntar porque razão não existe ainda uma Academia para dirigentes? Uma escola que os forme nas boas práticas da gestão em vez de os importar da baixa política ou dos bas fonds cheios de negócios escuros - a auditoria financeira às contas do Sporting promete ser outro festival de cinema de terror.

O futebol profissional Português tem de ser gerido como um negócio. Como um ativo económico que valorize pessoas, empresas e instituições na área de influência da língua e do talento dos portugueses. Não pode ser apenas mais um negócio de exportação de talentos. A liga BBVA é um exemplo de como a gestão profissional gera negócios globais. Porque razão a nossa Liga não pode também gerar esse valor? É preciso encontrar as pessoas certas.

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