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Opinião

Pior que a pandemia

Estamos todos em casa e em teletrabalho. Reina a ilusão de que o Mundo continua e que, nalguns casos, a nossa produtividade até está aumentando. Mas na verdade um novo perigo - ainda maior que o coronavírus - prepara-se para atacar.

Ontem, no Twitter do Digital Space, onde piratas informáticos se gabam dos seus feitos, alguém anunciava que tinha tido acesso, e tornado pública, uma base de dados da maior universidade do Brasil. "Agora, temos os e-mails, palavras-passe e documentos de mais de quatro mil pessoas".

Aqui, em Portugal, o Centro Nacional de Cibersegurança fala de uma série de ataques que desde o início de fevereiro estão associados à pandemia. Aplicações e burlas em forma de promessas que, por exemplo, garantem a vacinação de todos os cidadãos através de um link, "garantido um reembolso dos custos pelo Governo". Apenas um dos truques com que os piratas informáticos procuram enganar as pessoas nestes tempos de medo.

Mas este não é um problema novo. O que é novo é que, desta vez, as empresas têm os seus trabalhadores em teletrabalho, usando os computadores de casa.

Quem trabalha com a segurança informática sabe que o site de um banco em Portugal recebe centenas de milhares de ataques por dia e por isso gasta muito dinheiro a proteger os seus sistemas.

Mas trabalhando em casa, as pessoas usam o mesmo computador onde os filhos jogam e fazem downloads de filmes piratas. Esses computadores são a porta aberta para a nova pandemia.

Imagine que, em vez de um professor da universidade era o controlador de uma central nuclear que "entrava" no sistema a partir de casa usando a password do trabalho. Arrepia, não é? E se, de repente, alguém desligar a Internet? Que vai ser de nós?

*Especialista em Media Intelligence

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