Opinião

Pobres, pobres, pobres. Por dentro e por fora

Pobres, pobres, pobres. Por dentro e por fora

É escandaloso. Comparando a definição oficial de "pobre" da União Europeia - escrevo-a no final deste texto - com as conclusões do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (sobre a pobreza em Portugal), morre-se de vergonha.

Em Portugal a pobreza herda-se e é uma fatalidade. Não chega ter emprego seguro para não ser pobre e um em cada cinco dos portugueses que sofre desse mal, trabalha. Em Portugal a maior parte dos pobres tem vínculos estáveis e salários certos, o que faz da pobreza lusitana uma coisa natural. Uma política de Estado!

Há muito mais gramática para atirar à estatística. "Miserável" para o valor do ordenado mínimo; "pornográfico" para o preço de quilowatt; "indecente" para um litro de gasóleo. Mas é a definição de pobreza que nos rebenta.

"Pobres são indivíduos ou famílias cujos recursos são de tal forma baixos que os excluem do modo de vida mínimo aceitável no país onde vivem. As pessoas encontram-se em situação de pobreza se o seu rendimento e os seus recursos forem tão inadequados que as impedem de ter o padrão de vida considerado aceite na sociedade e por causa da sua situação de pobreza podem sofrer de múltiplas desvantagens através do desemprego, rendimento baixo, habitação pobre, cuidados de saúde inadequados e barreiras a` aprendizagem ao longo da vida, cultura, desporto e lazer. Elas são muitas vezes excluídas e marginalizadas da participação em atividades (económicas, sociais e culturais) que são a norma para outras pessoas e o seu acesso a direitos fundamentais pode ser limitado". É de tirar o fôlego.

Mas tudo piora quando a maioria dos "nossos" pobres se declara feliz. Mais vale embrulhar a bula e devolvê-la ao Papa. É o fim!

Especialista em Media Intelligence

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