Opinião

Prognósticos? Só no fim do ano

Prognósticos? Só no fim do ano

Fazer previsões é uma tentação irresistível para muitos. Ainda mais em dia de Ano Novo. Mas eu resisto. Até porque as previsões são sempre falíveis. Alguém dizia, muito sabiamente, que só se fazem no fim do jogo.

Também não quero correr o risco de ser como aqueles economistas que passam metade do tempo a prever o que vai acontecer e a outra metade a explicar por que não aconteceu. São prosas para professores Kizomba, meninas Maya ou para especialistas Rogeiro.

Prefiro gastar as linhas de hoje a falar daquilo que está verdadeiramente ao nosso alcance, em vez de falar do que não podemos alcançar. É mais útil querer melhorar a vida dos que vivem perto de nós, do que viver na angústia do que não podemos controlar, mesmo quando vai ter impacto direto nas nossas vidas.

Pensem bem. De que nos adianta saber que este ano, no país da liberdade, os franceses podem eleger uma fascista, ou que a Alemanha vai voltar a ter um exército, ou que os italianos se juntam aos gregos e aos espanhóis nas ruínas adivinhadas da Europa.

Nada do que eu diga sobre a ameaçadora amizade entre Putin e Trump (um bocadinho "para inglês ver", aqui para nós) muda o que quer que seja; são só negócios, comércio internacional.

E que interessa mesmo saber como Xi Jinping vai gastar a dívida pública que comprou aos americanos no ano do nonagésimo congresso do Partido Comunista Chinês? Ou que Israel se indigna com as sanções só para se preparar de novo para a guerra? Ou que por causa do combate ao "Estado Islâmico" a Al Qaeda está mais forte do que nunca? E para quê saber que o preço do petróleo vai aumentar? Barato ou caro, não pagamos sempre a mesma coisa? E que importa pensar que, por causa do aumento da cotação do dólar, as pessoas da Venezuela, do Brasil, da Colômbia, do Egito ou da Nigéria vão sofrer ainda mais?

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Pois... mas tudo isto, que é muito importante, também é completamente irrelevante para o nosso dia a dia.

A Europa, a que pertencemos, está prisioneira da própria democracia que inventou, e o Mundo, visto do seu confortável sofá, é um palco distante onde já não consegue dançar.

É por isto que, neste novo ano, o que mais nos importa é viver o melhor que soubermos, fazer o bem a quem pudermos, e ter esperança.

Prognósticos mesmo, só lá para o fim do ano. Que o que importa é ter saúde.

A Europa, a que pertencemos, está prisioneira da própria democracia que inventou, e o Mundo, visto do seu confortável sofá, é um palco distante onde já não consegue dançar.

ESPECIALISTA EM MEDIA INTELLIGENCE

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