Opinião

Que futuro para Coimbra?

Que futuro para Coimbra?

Ah! Coimbra! Viveiro de cadáveres insubmissos! Dizia uma citação apócrifa inscrita no livro "Os canibais" que Álvaro de Carvalhal publicou em 1868, e a partir do qual o cineasta Manoel de Oliveira fez um filme épico 120 anos depois.

Eu estudei e vivi 20 anos em Coimbra mas, embora há mais uma década a tenha deixado de frequentar quotidianamente, ainda olho para ela como "a minha cidade".

Há uma parte do meu coração que lhe pertence. Para lá fui estudar e lá me fiz homem adulto. Em Coimbra tive filhos (no início deste século) e de Coimbra sempre guardarei memórias felizes.

Mas a verdade é que já não vivo lá. Ainda tenho muitos amigos em Coimbra, mas eu fui embora. Primeiro para Lisboa e, mais recentemente, vivendo - gerundiando - naquela ponte aérea que a globalização e a conectividade global criaram entre Portugal e o Brasil.

Mas não fui só eu que fui embora. Os meus filhos, entretanto adultos, também já não vivem lá. E os amigos dos meus filhos e muitos dos amigos deles também não.

Ultimamente Coimbra tornou-se um deserto de oportunidades para quem lá mora, aproximando-se - de novo - àquela cidade descrita nos desabafos do professor Rui Namorado quando foi saneado da universidade por alturas do 25 de Abril: Um monte de merda com um gato morto em cima que é a universidade.

Hoje, felizmente, a Universidade está longe do epíteto que o poeta professor de Matemática lhe deu - não por razões académicas, mas apenas políticas; e é uma das mais pujantes instituições portuguesas.

PUB

Já a cidade tornou-se avessa à inovação, contrária à mudança e burocrática até ao tutano. Estatística e empresários colocam-na nos antípodas da modernidade; uns ignorando-a, outros fugindo dela como o diabo da cruz.

Para não perder definitivamente o comboio da história, é preciso mudar.

*Especialista em Media Intelligence

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG