Opinião

Sub-30

Este texto é para os novos. Os mais velhos sabem quase tudo o que aqui se vai dizer. Mas se quiserem recordar fiquem. No fim, fala-se do que falhou.

Para quem nasceu depois de 1980, o que se vai contar aqui até pode parecer ficção, mas não é. Antes de Portugal entrar para a Europa, faz agora 30 anos, os nossos problemas eram outros, e acreditem, bem piores. O problema de Portugal não é a Europa. A Europa é a nossa sorte desaproveitada.

Só quem é mais jovem é que não se lembra como era aquele Portugal antes de entrarmos para CEE. Quem tem memória, querendo sempre esquecer, só gosta que lhe "contem como foi" em programas de televisão lamechas e a puxar ao sentimento. De resto é melhor não falar disso. Até aos anos 80, Portugal ainda era aquele país onde era preciso "viver habitualmente", como Salazar, o nosso "saudoso" ditador, gostava tanto de dizer.

Portugal era então uma espécie de terceiro mundo ocidental. Sem vias de comunicação, sem equipamento social, sem assistência médica, sem cultura e sem esperança (nem de vida). Era tão iletrado e isolado do progresso que basta deixar os factos falar para corarmos de vergonha.

Segurem-se, meninas e meninos, era assim o país dos velhos. Quando entrámos na Europa a esperança de vida era 73 anos, agora são 80. Por cada mil portugueses que antes nasciam, 17 ficavam-se antes de cumprir um ano; agora, em cada 50 mil morre apenas um. Em 1985 um em cada cinco não sabia ler nem escrever, agora apenas 5 em cada 100, e apenas os mais velhos. Nas faculdades doutoravam-se 200 portugueses por ano, agora 2700. Havia autoestrada só do Porto à Feira e de Vila Franca a Lisboa. A viagem completa era coisa para 7 horinhas, sem grande trânsito nem acidentes. Ia-se num dia, voltava-se no outro. Os médicos e enfermeiros disponíveis eram metade dos que há hoje. Comíamos pior e éramos mais pequenos. Basta olhar para a generalidade dos nossos avós.

Claro que estas diferenças têm também que ver com o progresso da geral da humanidade, mas os 9.000.000 (nove milhões) de euros que recebemos por dia da UE, fazem certamente a diferença.

Só que Portugal não convergiu com Europa. Tudo é melhor, mas a diferença para os países mais ricos é a mesma. Tal acontece porque não poupamos e portanto, não investimos. Em Portugal o investimento feito por cada trabalhador (nas suas condições de trabalho) é muitas vezes menor que nos países do norte. Por isso produzimos muito menos, mesmo trabalhando mais horas.

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É isso que tem que mudar.

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