Opinião

Vamos ter o Lula já?

A "Folha de São Paulo" escreveu a hipótese, mas na corte do presidente eleito ninguém confirma. A caminho do Cairo, com stopover em Lisboa, vamos ter o Lula cá em novembro?

O Brasil tem vontade e Portugal quer. Junta-se a fome com a vontade de comer. É verdade que a procissão ainda vai no adro, mas os dois países adoram-se como se o santo estivesse já no altar. Será que S. Lula da Silva se ajoelha em Lisboa antes de janeirar?

A história escreve-se assim. Ninguém sabe como a coisa começa, ela insinua-se lentamente até que - sem que ninguém perceba quando - se transforma em tendência, depois uma causa a que todos querem aderir. Esta é a hora em que o Brasil olha estrategicamente para o Mundo através do país na Europa que também fala português.

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Esse apetite brasileiro por Portugal opera milagres. Faz o Google mudar de ideias e os apoiantes mais radicais de Bolsonaro desejarem morar num país governado por uma maioria de Esquerda, onde o consumo de drogas é despenalizado e o aborto um direito inalienável das mulheres.

Em menos de uma década, a perceção sobre Portugal alterou-se radicalmente, e brasileiras, brasileiros e brasileires, de todas as classes, cultos, clubes, credos e géneros, escolhem Lisboa como plataforma social e de negócios.

Personalidades muito relevantes do próximo poder de Brasília - putativos ministros, secretários apontados, doutores de toda a sorte - de Portugal têm hoje RG e passaporte. Endereço completo, vaga de parqueamento e, sem deixar nada à toa, já são cidadãos de Lisboa.

A viagem que hoje começa será longa, cheia de penitências e vias-sacras, mas é muito encantadora. Porque viajar virou uma condição e a mobilidade não é mais apenas uma possibilidade e uma condição crítica de sucesso. Paradigma do progresso, hoje, o Mundo é trânsito.

Presidente da Associação Portugal Brasil 200 anos

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