O Jogo ao Vivo

Opinião

Infraestruturar o mar no Portugal Digital - VI

Infraestruturar o mar no Portugal Digital - VI

O mar constitui para Portugal uma fonte de riqueza de enorme potencial, que importa explorar com equilíbrio, inteligência e respeito pelo ambiente. As responsabilidades do país sobre os domínios marítimos sob sua jurisdição e controlo são significativas. Estas responsabilidades estão cometidas a diversas entidades, da Administração Central, da Marinha e a vários institutos, empresas públicas e entidades privadas.

A capacidade efetiva de articular a ação destas entidades perante situações críticas e de lhes responder com eficácia e eficiência é patentemente limitada.

Eventos associados a transporte de droga, de armas, a tráfico de seres humanos, a derrame de substancias poluentes, à exploração ilegal de recursos marítimos, a acidentes navais e à defesa nacional requerem capacidades de deteção e de atuação coordenada que implicam que a informação recolhida a partir dos dados coletados pelas múltiplas fontes de informação seja estruturada, consolidada, validada e disponibilizada, em tempo real, às diversas entidades com capacidade, meios e responsabilidade de agir.

Isto implica que haja "ordenamento do espaço informacional associado ao mar" e se definam as "entidades informacionais que habitam o espaço virtual do mar Português". Tripulações, passageiros, embarcações, equipamentos, empresas, cargas, entidades portuárias, policiais e da Defesa Nacional são, entre outras, as principais entidades que intervêm ativa e passivamente nas atividades marítimas.

A caracterização dos eventos detetáveis nas atividades marítimas e a sua associação às entidades que os espoletaram devem obedecer a uma "ontologia universal", partilhada por todos os intervenientes, na qual se baseia a conversão de dados em informação útil para a tomada de decisão pelos intervenientes relevantes. Urge definir e operacionalizar este "ordenamento do território informacional do mar" que não deve ser pertença de nenhuma entidade, mas ser sim adotado e partilhado por todos. Não há justificação para que não se monitorize e controle o mar português com instrumentos sistémicos inferiores aos que usamos para gerir o espaço aéreo nacional.

Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG