Opinião

O papel fulcral dos sistemas de informação na reforma do SNS

O papel fulcral dos sistemas de informação na reforma do SNS

Publiquei há um ano neste Jornal um texto com o título: Infraestruturar a saúde no Portugal digital - IV, onde defendi os benefícios da existência de registos seguros com os dados da saúde de cada cidadão.

A sua existência permitiria a melhor gestão da prestação de cuidados de saúde a cada um de nós, independentemente dos profissionais de saúde que os prestam e das instituições onde esses cuidados são prestados, bem como a otimização sistémica da utilização dos meios de diagnóstico e da medicação prescrita. Sem a operacionalidade desta capacidade infraestrutural não é possível apoiar a mobilidade da relação de cada utente com os prestadores de cuidados de saúde ao longo do seu ciclo de vida, nem gerir de forma profissional e eficiente a utilização dos recursos públicos do SNS com vista à melhor qualidade possível da prestação desses cuidados.

As notícias recentes relativamente ao novo regime do SNS e da constituição de um CEO para o dirigir tornam oportuna a minha insistência no imperativo de especificar, arquitetar, construir e operacionalizar os sistemas de informação da saúde em Portugal, tendo como base a constituição das entidades informacionais que representam os utentes, profissionais, equipamentos, instalações, organizações e demais atores neste setor.

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Em particular, prosseguir com reformas no SNS sem dar prioridade total à reformulação dos sistemas de informação da saúde, operacionalizando nomeadamente a agregação de todos os dados clínicos que decorram dos eventos de saúde de cada utente ao longo da sua vida numa entidade informacional única, que represente para todos os efeitos esse utente no espaço virtual da saúde constituiria, neste momento, mais do que simples ignorância e incompetência dos altos dirigentes nacionais. Se esta dimensão da transformação do SNS não for explícita e imediatamente incluída nas mudanças a ocorrer, este facto constituirá indiscutivelmente um crime de lesa-pátria por parte dos altos responsáveis políticos do país e da saúde!

*Professor catedrático distinto jubilado do IST e fundador e investigador emérito do INESC

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