Opinião

Ainda tem dúvidas?

O duelo de quinta-feira à noite foi útil para aclarar as diferenças entre os dois partidos, PSD e PS, e os dois candidatos a primeiro-ministro, Rui Rio e António Costa. No debate, o confronto fundamental foi, pois, entre quem olha para o futuro do país e quem se rege pelo interesse do imediato.

A estagnação da economia portuguesa nos últimos 20 anos não é um assunto novo. É, contudo, um assunto que tem de estar na ordem do dia porque todas as projeções económicas indicam que a situação tende a piorar até ao final da década. Esta tem sido sempre uma preocupação visceral para o PSD.

Rui Rio defendeu sem rodeios a prioridade que o crescimento económico representa para o país. Precisamos de fomentar um ambiente mais favorável às empresas, aos empresários, aos empreendedores e investidores, nacionais e internacionais. Ao contrário de António Costa, que considera que não é claro que uma redução do IRC torne as empresas portuguesas mais competitivas, Rio sugere uma redução deste imposto, em particular para as regiões de baixa densidade.

Ainda sobre impostos, também não é novidade dizer que as famílias portuguesas vivem estranguladas em impostos e contribuições sobre o rendimento. O leitor certamente que sabe bem deste tema quando todos os meses olha para a folha salarial (que não inclui as contribuições da empresa para a Segurança Social) ou quando todos os anos submete a declaração de IRS. Com a prudência necessária, sem precipitações ou aldrabices de desdobramentos dos escalões em que o governo das cativações é mestre, o PSD entende que o país deve adotar uma redução faseada do IRS, para poder libertar os portugueses do grilhão tributário e assim aumentar o rendimento disponível.

Na Saúde, não restam dúvidas da importância e centralidade que o SNS representa para as famílias portuguesas. Diferente de António Costa, que recorre a guerras ideológicas e teatro na defesa do SNS e dos profissionais de saúde, Rui Rio é claro na urgência de uma reforma de fundo no setor e é isso que propõe. António Costa prometeu médico de família a todos os portugueses em 2015 mas hoje temos mais de um milhão de portugueses sem acesso a médico de família. O caro leitor, como todos os portugueses, na necessidade de recorrer a cuidados de saúde quer ter a certeza de que é atendido e tratado em tempo útil. Ora, o SNS, sozinho, não tem atualmente capacidade para dar uma resposta atempada a todas as solicitações e é por isso crucial cooperar com o setor privado e social. Para responder em tempo digno!

Termino com a seguinte observação: a exibição por António Costa para as câmaras do Orçamento chumbado em outubro de 2021 não é mais do que o símbolo da rutura entre PS, PCP e BE. Mostrar esse mesmo Orçamento, democraticamente chumbado à Esquerda e à Direita, atesta a arrogância de um PS incapaz de se reinventar.

A esperança está no partido da seta para cima porque da mão fechada já não vem nada.

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*Eurodeputada do PSD

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