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Belém e a Lei de Peter

Belém e a Lei de Peter

O início do novo ano convoca-nos a um primeiro desafio com as eleições legislativas já a 30 de janeiro. Como qualquer ato eleitoral é um momento relevante para a nossa vida e que nos relembra a importância e o privilégio da nossa participação cívica em democracia. E é precisamente sobre democracia que me parece oportuno hoje escrever.

Sensivelmente nos últimos doze meses há uma figura que se tornou presença mediática habitual em nossas casas. As suas aparições e intervenções, sempre ponderadas e moderadas, a sua competência e retidão e o método e a disciplina vieram contrastar com os sucessivos enganos e erros do Governo, o foguetório e a recorrente troca de galhardetes no espaço público. Ainda no final de 2020, lembram-se do caos absoluto dos primórdios da task force, que levou à demissão do seu coordenador Francisco Ramos? É fácil perceber a quem me refiro: o vice-almirante Gouveia e Melo. Era preciso vacinar em massa e foi isso que o vice-almirante cuidou de fazer. É inegável a qualidade do seu trabalho, a organização e tudo o que foi cumprido sob a sua liderança. Recordo que Portugal foi, durante um tempo, o país do Mundo com maior percentagem da população mais vacinada. Os portugueses estão certamente agradecidos a Gouveia e Melo e o poder político também.

Ao longo do tempo, instalou-se no espaço mediático um certo deslumbre com a ideia de Gouveia e Melo vir a tornar-se presidente da República. Devo dizer que não tenho qualquer tipo de dúvida do mérito do vice-almirante, mas questiono-me profundamente sobre a possibilidade de um militar ser presidente da República. É incontornável aquilo que Gouveia e Melo fez por Portugal e pelos portugueses. E na verdade, fez o que lhe competia. No entanto, como estamos tão habituados à incompetência, permanentemente a braços com escândalos, casos e "casinhos" no Governo, entre Familygate e golas de fumo e outros, quando aparece alguém competente, que executa as suas funções do princípio ao fim, logo, considera-se que é competente para qualquer função, incluindo presidente da República.

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Esta sedução com ideias sebastiânicas são um péssimo sinal para a democracia portuguesa. Preocupa-me que este tempo político tente encontrar no simplismo respostas para circunstâncias complexas, e a possibilidade colocada por Gouveia e Melo é talvez um bom exemplo. De resto, no Mundo, não faltam exemplos do mau resultado de militares em posições políticas.

Espero por isso que o ano 2022 seja profícuo no robustecer da democracia e da sociedade civil portuguesas e que Portugal não resvale para a armadilha do retrocesso.

Aproveito para desejar um Feliz Ano Novo aos leitores que todas as semanas me acompanham!

Eurodeputada do PSD

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