O Jogo ao Vivo

Artigo 2.º

Comissários da desonra futebolística

Comissários da desonra futebolística

Há não muito tempo, Fernando Medina e António Costa apresentaram-se como fervorosos apoiantes de (mais uma) recandidatura de Luís Filipe Vieira (LFV) à presidência do Benfica.

O primeiro-ministro chegou mesmo a defender que o seu apoio ao presidente recandidato "rigorosamente nada" tinha a ver com a sua vida política ou funções, e, portanto, que apenas se devia ao facto de, enquanto cidadão, acreditar na candidatura e na gestão de LFV. Vindo de um primeiro-ministro que disse publicamente, e reprovando a atitude de um ministro seu, que "até à mesa de café" os ministros tinham de se recordar da sua função, só aceita esta justificação quem gosta que lhe mintam.

Também Fernando Medina, outro "distinto" membro da Comissão de Honra da candidatura vieirista, ontem, com a distinta conveniência que o caracteriza e perante o escândalo da detenção do presidente do SLB, disse que "se na altura se soubesse, as coisas teriam sido diferentes". Medina vai acumulando situações em que não sabe nada. Assim foi com os dados dos manifestantes russos, e agora com a gestão de LFV. Pelo menos já sabemos de antemão a resposta ao próximo escândalo.

Estranhamente, nem um nem outro assume saber da existência de outros casos na vida de Vieira nos quais foi condenado, ou as dívidas de centenas de milhões de euros das empresas de LFV envolvidas em diversos problemas na Justiça, ou os pedidos de favores ao juiz Rui Rangel.

Neste país parece possível, e até normal, para uma dada elite política ligada ao PS viverem de mão dada com este tipo de personagens e nunca saberem de nada. Com José Sócrates, apesar dos exteriores sinais de riqueza incompatíveis com os seus rendimentos e o seu património, com LFV, apesar de todos os indícios. António Costa e Fernando Medina precisam de trabalhar melhor o seu ar de espanto e admiração perante estas situações, em que aparecem como se não soubessem de nada e até tivessem sido enganados. Já ninguém acredita.

Mas há algo em que temos de reconhecer a coerência do Partido Socialista. Tendo o PSD apresentado uma proposta que impede que os deputados exerçam cargos em órgãos executivos de clubes que participem em competições desportivas profissionais, o PS votou contra, defendendo que se mantenha esta mistura tão pouco saudável entre política e futebol. Felizmente o bom senso venceu, e o PS votou isolado, tendo perdido, sozinho, a votação.

Uma nota final para criticar o jornal desportivo que apagou do seu site na Internet todas as notícias sobre a presença de António Costa na Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Estas atitudes de servilismo por parte de uma pequena parte da Imprensa não honram a importância e o mérito de uma Imprensa que se quer livre, independente e exigente.

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*Eurodeputada do PSD

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