O Jogo ao Vivo

Artigo 2.º

O perigo da ficção na realidade das nossas vidas

O perigo da ficção na realidade das nossas vidas

De entre várias produções cinematográficas, há uma saga em particular da qual sou fã incondicional: James Bond. Na azáfama do combate ao terrorismo, o espião mais famoso do Mundo tem protagonizado algumas histórias nas quais encontramos elementos de ficção que acabam por ser bem reais.

No filme "Skyfall", o vilão Daniel Silva, ex-espião do MI6, depois de capturado, conseguiu furar todas as firewalls de segurança, ludibriar o engenhoso "Q" e, por fim, a proeza de entrar no sistema informático das secretas inglesas, comprometer informação privilegiada e escapar. A ousadia e eficácia do terrorista contrastam com a vulnerabilidade daquele que é visto como o baluarte da defesa de Sua Majestade.

Ora, longe da ficção de Bond, os clientes Vodafone e muitas outras pessoas de forma mais indireta sentiram o impacto do episódio. Os distúrbios que as dificuldades de comunicação provocaram, em chamadas telefónicas, acesso a dados, no funcionamento de máquinas de Multibanco, números de emergência, foi muito grave. Outro caso recente foi o ataque informático ao grupo Impresa. Acresce ainda dizer que este assunto é demasiado sério por dois motivos: compromete a privacidade e a segurança. Por exemplo, o acesso aos nossos dados e informações pessoais configura uma violação da nossa dimensão privada.

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Antes de começar a escrever este artigo fiz uma brevíssima pesquisa no Google com a palavra "cyberattack". Nos resultados da pesquisa são inúmeros os casos relacionados com ataques cibernéticos na Europa e no Mundo, nos últimos meses.

Qualquer equipamento ligado à Internet arrisca-se a ser alvo de um ataque. E assim temos de reconhecer que os nossos serviços básicos, verdadeiramente vitais, como os sistemas de distribuição e abastecimento de água ou energia podem estar vulneráveis.

Este tipo de ataques pode vir a intensificar-se em frequência e gravidade e é por isso fundamental garantir uma gestão do risco mais avisada e cuidadosa. Um dos passos para esse desígnio também passa por incentivar as organizações e as pessoas a investirem na cibersegurança. Como referiu recentemente o professor Tribolet, uma referência na matéria, "no ciberespaço estamos todos em guerra há vários anos", recordando que os países da NATO são vítimas destes ataques há vários anos. A solução passa essencialmente por duas grandes medidas, "definir a organização política no ciberespaço e isto compete em primeiro lugar à organização política da nação" e "segundo, temos de ter milhares de especialistas identificados pela nação portuguesa para defender os nossos bens no ciberespaço". Estes são soluções para um futuro em que muitas das oportunidades e ameaças às nossas vidas estão na dimensão digital. Repensar a nossa organização política e termos recursos humanos qualificados para estes conflitos

No final dos filmes, James Bond ganha sempre ao vilão. Mas o vilão de Bond tem rosto, as ameaças que enfrentamos no domínio informático não.

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