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O regresso da barbárie

O regresso da barbárie

O dia 24 de fevereiro ficará para a História como o dia em que voltámos a ter um conflito militar em pleno solo europeu. Ainda que a paz seja muito mais do que a ausência da guerra e a conflitualidade tenha vindo a aumentar ao longo dos últimos anos, ninguém imaginava uma guerra às portas da União Europeia.

Estando Portugal no extremo geográfico oposto ao palco deste conflito, poderemos pensar que, de certa forma, estamos protegidos. No entanto, a verdade é que não estamos imunes aos impactos desta nova guerra. Estamos vulneráveis e, inevitavelmente, haverá um custo que também acabaremos por pagar.

Num momento em que o avançar da invasão, a sucessão de declarações, votos de condenação e aplicação de sanções captam toda a nossa atenção, penso que é importante percebermos o contexto que nos trouxe até aqui, para melhor compreendermos o escalar do conflito.

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A queda do muro de Berlim, em 1989, evento que antecedeu o fim da Guerra Fria, materializado pela dissolução da União Soviética em 1991, marcou a vitória do modelo liberal sobre o comunismo. Era "O Fim da História", de Fukuyama. Mas não foi.

Vladimir Putin é um ex-operacional do KGB. Estava em Dresden, aquando da queda do muro de Berlim e percecionou esse evento como uma humilhação nacional. Já enquanto presidente da Rússia, em 2007, numa conferência sobre segurança, em Munique, deixou claro que um mundo unipolar, com regras ditadas pelos EUA, é inaceitável. O tom foi de ameaça, anunciando ao Ocidente a intenção em destruir a ordem liberal do pós-Guerra Fria.

Ninguém poderia antecipar a velocidade com que Putin entrou na Ucrânia, nem a facilidade com que tomou vários pontos nevrálgicos e destruiu infraestruturas estratégicas. E, perante isto, tem sido evidente a dificuldade em responder de forma concreta e assertiva, com sanções que verdadeiramente permitam dissuadir Putin ou forçá-lo a sentar-se à mesa das negociações, sem a ilusão que cega os vencedores de um conflito.

Termino este artigo expressando a minha solidariedade para com o povo ucraniano e, em particular, a comunidade residente em Portugal, que sofre à distância, pelo seu país e pelas suas famílias. E também com vergonha pela falta de decência dos líderes políticos da Alemanha, Itália e Hungria que no Conselho Europeu terão bloqueado uma reação mais forte da União Europeia. Nada justifica a guerra, nada justifica a ausência de uma resposta mais forte da Europa.

*Eurodeputada do PSD

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