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Olya, uma biografia autorizada

Olya, uma biografia autorizada

Olya, 34 anos, Donetsk - Ucrânia. A Olya é uma jovem ucraniana que conheci e de quem fiquei amiga desde 2014. Fomos colegas nas aulas de mestrado, na Bélgica, e depois desse período sempre mantivemos contacto. Mais recentemente, e por força das circunstâncias, temos falado mais vezes. A história da Olya é muito útil para melhor percebermos as dificuldades reais de quem viu a sua vida virada do avesso e vive sob o espectro da morte.

Desde março de 2014, altura da anexação da Crimeia pela Rússia e da ocupação das regiões de Donetsk e Lugansk, que a Olya não visita a terra que a viu crescer, onde os pais ficaram até ao verão do ano passado. Por causa da instabilidade e procurando segurança, venderam a sua casa de sempre, em Donetsk, por cinco vezes menos que o seu valor de compra e mudaram-se para a região de Kiev. A avó de Olya, já com os seus noventa anos e algo debilitada, ficou em Donetsk até que as obras da nova casa estivessem prontas e a pudessem levar para junto da família.

Duas semanas antes do início da guerra na Ucrânia o pai de Olya, Yuriy, voltou a Donetsk para levar a sua mãe para Kiev. Os procedimentos para o transporte não são fáceis devido à condição física da avó de Olya e esse processo foi adiado. Com o início da guerra, as vias de comunicação foram fortemente afetadas e hoje tanto o pai como a avó de Olya continuam retidos em Donetsk. Entretanto, a mãe de Olya procurou abrigo na Polónia porque também o seu lar em Kiev começava a ficar em perigo.

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Quando conheci a Olya, estávamos no rescaldo do "Euromaidan", a Revolução Ucraniana de 2014. Confesso que, na época, não compreendia bem a origem da revolta do povo ucraniano. Nesse tempo, a Olya foi-me explicando, e o meu envolvimento na política internacional por via da Juventude do Partido Popular Europeu também contribuiu para compreender a vontade ucraniana em se aproximar da União Europeia e lutar pela democracia e pela liberdade.

Entre 2014 e 2018, a Olya trabalhou à distância com a SOS Donbass, uma organização não governamental de apoio à população em zonas de combate no leste da Ucrânia. Entre várias coisas, ajudou muitos compatriotas em processos de evacuação e ajuda humanitária a serem recolocados noutras regiões do país. A razão pela qual a Olya não regressou a Donetsk desde 2014 foi o risco de perseguição e rapto de ativistas e colaboradores de ONG, situação que viu acontecer de perto com colegas e amigos.

A guerra na Ucrânia obriga-nos a reconhecer que a União Europeia tem sido a garantia de paz na Europa desde o fim da II Guerra Mundial. E talvez essa seja a principal razão pela qual países como a Ucrânia procuram refúgio a Ocidente, e a sua integração na UE.

*Eurodeputada do PSD

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