Opinião

Os três desafios do futuro

Os três desafios do futuro

Em Portugal o futuro raras vezes é uma preocupação. Temos dificuldade em trabalhar no longo prazo, em investir (ou poupar) a pensar no futuro. Esta característica leva a que trabalhemos mais a capacidade de adaptação (e a tão portuguesa capacidade de desenrascar), do que o planeamento, a capacidade de prospetiva e as necessárias reformas de longo prazo.

Dito isto, fica claro que considero que o primeiro dos grandes desafios do futuro tem a ver com a liberdade das próximas gerações, com a dívida que carregam e a falta de sustentabilidade da segurança social para contarem com uma pensão na velhice. Gerações com baixos salários, que aos 30 anos dividem casa com amigos por incapacidade de pagar a sua própria casa, limitando a sua capacidade de constituir família. Jovens que emigram, não pela falta de emprego, mas pela falta de um salário digno. Que liberdade encontram estes jovens em Portugal?

O segundo desafio que vejo tem a ver com a transição climática, que tem de acontecer, mas que não pode deixar ninguém para trás. Não conseguiremos, enquanto sociedade, fazer essa transição se deixarmos os mais frágeis para trás, se apoiarmos apenas os que vivem nas grandes cidades subsidiando os seus transportes públicos e deixarmos quem não lhes pode aceder sem qualquer apoio e entregue aos elevadíssimos preços dos combustíveis; falharemos, se deixarmos para trás os que dependem do seu automóvel para ir trabalhar, para ir à farmácia ou aos serviços públicos. A coesão social nesta transição, que reforço, tem de acontecer a bem da nossa sobrevivência, é absolutamente crítica.

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O terceiro desafio que gostaria de destacar prende-se com os desafios democráticos e o espaço público. Um espaço público em que o afastamento entre eleitores e eleitos tem de ser reduzido, um espaço público em que a política precisa de integridade e coragem para reconquistar os cidadãos desiludidos. Mas que, ao mesmo tempo, não pode criar um anátema sobre os políticos, que apenas aumenta esse afastamento entre eleitores e eleitos. Digo isto pelo facto de ser este o meu último artigo nesta coluna que batizei de Artigo 2.º, referindo-me à Constituição portuguesa que define que Portugal é um Estado "baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efetivação dos direitos e liberdades fundamentais". Bem sei que a política é uma atividade muito dada a emoções, mas a Comunicação Social, os meios de Comunicação Social existem também para precisamente mediar essa relação entre titulares de cargos públicos e eleitos - não para os afastar. Nem sempre é fácil lidar com os conflitos e o choque de visões, mas é precisamente desse confronto que as soluções saem mais fortes, mais discutidas e também, por vezes, mais conciliadas.

Foi um gosto partilhar convosco as minhas reflexões e preocupações ao longo de tantas semanas! Até breve!

*Eurodeputada do PSD

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