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Parar de abanar a cauda para deixar a cauda da Europa

Parar de abanar a cauda para deixar a cauda da Europa

Esta semana não me podia furtar a escrever sobre as eleições legislativas do passado domingo. Resultado duro para uns e de celebração para outros, a verdade é que nas semanas que antecederam o ato eleitoral ninguém - à exceção talvez de António Costa, que tanto desejou estas eleições - cogitava uma maioria absoluta do Partido Socialista. Mas aconteceu, e agora serão quatro anos de estabilidade política para governar.

Livre das imposições radicais dos partidos da geringonça (e que deram a vitória a António Costa!), o PS tem agora a oportunidade de fazer tudo o que foi ficando adiado pelos ditames do PCP e do Bloco de Esquerda. Portugal e os portugueses já perderam demasiado tempo com a cegueira ideológica dos últimos anos.

Identifico três prioridades essenciais para o país. A primeira é a Saúde. Já aqui escrevi sobre a urgência de atuar sobre o estado do SNS. Entraremos, durante o ano 2022, numa fase pós-pandémica (assim espero!) e essa realidade obriga a olhar para uma outra, a recuperação do serviço perdido durante a pandemia. Durante estes dois últimos anos a primazia na saúde foi a resposta à covid-19, acabando por deixar uma parte significativa de atividade (consultas, exames, cirurgias) por realizar. Muitas pessoas por motivos, direta ou indiretamente relacionados com a pandemia, nem chegaram a contactar o sistema de saúde. É preciso diagnosticar estas pessoas porque as consequências clínicas poderão ser graves. Acresce ainda que o atraso na prestação assistencial tem também, por si só, consequências que geram maior necessidade de cuidados de saúde pelas populações não assistidas atempadamente, como é o caso da oncologia.

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A segunda é a Educação. Muitos foram os alunos prejudicados pelo recurso às aulas online. Incompreensivelmente, ainda há computadores por distribuir e é urgente uma política educativa para a recuperação dos atrasos provocados pela pandemia na aprendizagem dos milhares de jovens portugueses. A isto soma-se o facto de no início do ano ainda haver alunos sem professores em algumas escolas. Esta é uma situação calamitosa e que põe em causa a igualdade de oportunidades. Não esqueço ainda o papel central dos professores nesta fase de recuperação, os grandes desafios da produtividade da economia, da digitalização, passam invariavelmente por um sistema educativo moderno e atualizado.

A terceira é a Administração Pública. É preciso tornar a pesada máquina do Estado mais leve e eficiente para poder dar resposta a um funcionamento mais diligente das relações com as famílias e as empresas.

Para o sucesso destas três prioridades diria que é obrigatório a existência de um Governo competente e comprometido em tirar Portugal da cauda da Europa. Agora António Costa não tem a desculpa de precisar de acordos para implementar as reformas. Resta saber se há essa capacidade no Governo ou não. É hora do poder pelo poder dar lugar às reformas.

*Eurodeputada do PSD

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