Opinião

Podem tirar-nos o gás, mas não nos podem tirar o sol ou o vento

Podem tirar-nos o gás, mas não nos podem tirar o sol ou o vento

Infelizmente, os dias passam sem termos boas notícias. Na Comunicação Social e nas redes sociais, as imagens que nos chegam são de tempos sombrios e de escuridão.

Deitamo-nos na esperança de que a luz da manhã seguinte traga a paz e ponha fim ao terror da guerra. A invasão da Ucrânia por Vladimir Putin está a deixar o Mundo chocado, pela brutalidade, pelo sofrimento do povo ucraniano, mas também pela incerteza da duração desta guerra e dos seus limites. A União Europeia, os Estados Unidos e grande parte da comunidade internacional uniram-se e definiram sanções sem paralelo direcionadas aos oligarcas e empresas que suportam o regime de Putin. Esta onda de choque e de condenação da guerra de Putin tem levado a que várias multinacionais tenham já anunciado o encerramento das suas operações na Rússia.

Inevitavelmente, também a economia portuguesa está já a ser afetada pelos efeitos da guerra. A subida do preço dos combustíveis e dos materiais de construção são disso exemplos. Se a pandemia pôs a nu a nossa dependência da China de medicamentos ou ventiladores, esta guerra expõe a vulnerabilidade da dependência energética da Europa para a qual é urgente encontrar soluções.

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O objetivo da neutralidade carbónica do continente europeu é nobre e para o atingir a União Europeia tem desenvolvido vários instrumentos regulatórios como é o caso do Green Deal, da Lei Europeia do Clima e do pacote "Fit for 55". Hoje, com os desenvolvimentos recentes a leste da Europa, fica claro que a aposta nas energias renováveis vai além da questão ambiental, é uma questão de segurança, autonomia e independência no domínio energético.

A redução do consumo de gás da Rússia tem de ser compensada com outras fontes de energia. E se o prolongamento seguro da vida útil de algumas centrais a carvão ou mesmo nucleares nos países que as têm podem ajudar a compensar, é fundamental ter também outras soluções para travar a escalada dos preços. Aponto além destas três soluções:

1. A redução do IVA sobre a eletricidade, mas também sobre os combustíveis ajudando as famílias e as empresas e amortecendo o aumento dos custos que já se fazem sentir.

2. Portugal tem um grande potencial na produção de energias renováveis, em particular a solar. Devemos explorar melhor este potencial, continuando a investir em renováveis. Podem tirar-nos o gás, mas não nos podem tirar o sol ou o vento.

3. Melhorar as interconexões energéticas nos Pirenéus, reforçando a ligação entre a Península Ibérica e a França. Quando produzimos energia que não é consumida, temos graves dificuldades em exportar para países onde essa energia faça falta. Há anos que insistimos com a importância destas conexões, mas até hoje está quase tudo por fazer.

Por reconhecer nesta matéria uma questão fundamental para famílias e empresas, esta segunda-feira irei questionar diretamente o vice-presidente da Comissão Europeia Frans Timmermans no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Espero respostas sólidas e concretas.

*Eurodeputada do PSD

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