Artigo 2.o

Se as vacas voam, para que precisamos de comboios?

Se as vacas voam, para que precisamos de comboios?

Pedro Marques, Nelson Souza e Pedro Nuno Santos. Estes são os rostos, as figuras, os ministros do (des)governo socialista com as pastas do Planeamento e Transportes que desde 2015 se dedicam à triste tarefa da propaganda da ferrovia. Creio que já teremos todos perdido conta ao chorrilho de anúncios que todos os anos se multiplicam sobre "a grande aposta ferroviária portuguesa".

O programa Ferrovia 2020 foi apresentado em 2016, por Pedro Marques, então ministro com a tutela dos transportes. O projeto era que, até ao final de 2020, Portugal conduzisse uma renovação profunda das condições ferroviárias de norte a sul do país e reintroduzir centenas de quilómetros de ferrovia. No entanto, ano após ano, e apesar das dezenas de anúncios do Governo, tornou-se normal sermos enganados. Recorde-se como ainda recentemente soubemos que a taxa de execução do Ferrovia 2020 foi de 12,2% em cinco anos! Esta semana ficámos a saber que, mais uma vez, os prazos vão novamente falhar e os projetos derrapar para depois de 2023.

Fica à vista de todos que a ferrovia não só não é uma prioridade para o PS como não passa de propaganda para enganar incautos. No meio de todo este teatro temos o desafio da descarbonização dos transportes que a cada atraso do Governo penaliza o ambiente e a preferência do uso do transporte público em vez do automóvel. De resto, tornou-se cansativo que o Governo anuncie alhos e saiam bugalhos.

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De uma coisa não tenhamos dúvidas: a enorme competência destes ministros em gerar foguetório inconsequente.

Sobre o Ferrovia 2020, em maio deste ano, o primeiro-ministro António Costa afirmava orgulhosamente que finalmente estava "em velocidade de cruzeiro", o que vai "permitir chegar ao final de 2023 com o Ferrovia 2020 concluído". Lamentavelmente, a ferrovia em velocidade de cruzeiro não passa de propaganda. A não ser que a velocidade seja como a dos cruzeiros atracados e aí estamos de acordo.

O modelo governativo do ciclo político que agora termina com as eleições em janeiro do próximo ano demonstra bem que a geringonça nada tem para dar de novo ao país. A extrema-esquerda finge esquecer-se da cumplicidade com que geriu, validou e votou as escolhas políticas e orçamentais do PS. Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial diz ainda que "nunca faltaram verbas para bons projetos". Deve dizer às populações que a linha do Douro não é um bom projeto, que a renovação do Vouguinha não é um bom projeto, ou que a ligação a Madrid também não, ou tantas outras ligações prometidas.

Se o anterior primeiro-ministro socialista deixou como prenda aos portugueses a dívida, este primeiro-ministro e o seu Governo deixarão a mentira e a propaganda como expediente quotidiano.

Se as promessas socialistas da ferrovia se cumprissem à velocidade com que os ministros Cabrita e Pedro Nuno Santos viajam nas estradas deste país, estaríamos bem melhor servidos.

Eurodeputada do PSD

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