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Opinião

Sem desculpas

Depois da bizarria do caso da recontagem de votos apenas no círculo da Europa e de toda a confusão que o antecedeu, finalmente, temos Governo!

A espera, o suspense e os rumores que alimentaram as últimas semanas sobre a composição do novo Governo traduzem-se, agora, em expectativas (mais ou menos altas) no funcionamento do executivo. O desafio maior, sobre o qual já aqui escrevi, é o crescimento económico. Com uma maioria absoluta no Parlamento e um Governo razoavelmente promissor, depois desta legislatura, o Partido Socialista não terá mais desculpas para justificar um país na cauda da Europa.

A estabilidade na Assembleia da República e novo Governo são dois pilares para mais ambição na prossecução de políticas públicas que permitam às empresas crescer e aos portugueses auferir melhores salários. O famoso PRR está significativamente concentrado no Estado. Até agora, 99,2% dos fundos foram canalizados para o Estado, autarquias, escolas e universidades, deixando apenas 0,8% para as empresas, famílias e IPSS. Com tanto dinheiro a entrar na máquina central, será essencial realizar uma reforma da Administração Pública, que torne a sua estrutura mais leve, funcional e eficiente, valorize, requalifique e capacite os funcionários públicos. Em simultâneo, a Ciência e a Economia são setores centrais cujo protagonismo poderá alavancar o potencial português na transformação da sua economia, por via dos objetivos europeus de transição energética e digital. Os protagonistas das referidas pastas serão Mariana Vieira da Silva, Elvira Fortunato e António Costa e Silva.

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Não faltará dinheiro para cortar fitas; não será necessário negociar dossiers com a oposição; e não haverá o desgaste de dois anos de pandemia. Haverá, sim, condicionantes externas, como a guerra na Ucrânia, que terão impacto na política nacional. Mas isso não pode desviar o Governo nem servir de desculpa. Recordo que o PS se comprometeu com um crescimento de 0,5 pontos percentuais acima da média europeia. Em 2021, o PIB da UE cresceu 5,2%. Significa que há ambição do Governo para deslocar Portugal da estagnação das últimas duas décadas.

A maioria absoluta que os portugueses confiaram ao PS responsabiliza agora exclusivamente o renovado Governo de António Costa. Foram seis anos de acordos oportunisticamente geridos pelo "compromisso" da geringonça. O "compromisso" quebrou-se e o PS tem agora a liberdade de recuperar tudo o que ficou por fazer durante o consulado PS, PCP e BE. O lema do PS nas últimas eleições legislativas foi "Juntos seguimos e conseguimos". O verdadeiro compromisso é com os portugueses. Não apenas com aqueles que votaram no Partido Socialista, mas com os 10 milhões cuja ideia de futuro próspero vive há demasiado tempo limitado em anúncios.

*Eurodeputada do PSD

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