Artigo 2.º

Um futuro possível

Fala-se pouco sobre pobreza em Portugal. É um assunto delicado, complexo, que nos merece toda a atenção não só por quem infelizmente vive (ou sobrevive) com muito pouco, mas porque é também um retrato da ambição de um país que caminha para ser dos mais pobres da Europa.

Apesar do progresso em diversos indicadores, durante o período democrático da história portuguesa a pobreza manteve-se um problema estrutural. Não me esqueço que há 35 anos que Portugal faz parte da União Europeia e que esta pertença se traduziu em investimentos de coesão e numa melhoria generalizada de uma série de indicadores sociais e económicos. É inegável que se vive hoje melhor em Portugal do que há três décadas, tendo esse salto sido dado essencialmente na primeira dessas três décadas.

Não nos enganemos, nem deixemos que nos enganem. A pobreza permanece hoje como o principal fator de exclusão social em Portugal. Não sendo o único, é o mais relevante. A pobreza exclui mais do que a raça, o género, as qualificações, o sítio onde nascemos ou a religião que professamos. E é por isso que devemos concentrar esforços num combate sério, estruturado e sem demagogias à pobreza. Garantindo mecanismos de ascensão social, o mais poderoso dos quais, o acesso à educação e qualificação superiores.

O combate à pobreza e à exclusão social são temas presentes nas agendas políticas, mas as consequências dessa prioridade não se fazem notar e além dos milhares de portugueses que vivem no limiar da pobreza há também muitas famílias que, não estando em situação de pobreza, têm muitas dificuldades em fazer face às despesas e em satisfazer as suas necessidades. Ser incapaz de fazer face a uma despesa inesperada ou não poder proporcionar o básico aos filhos são, pois, privações recorrentes de agregados que se veem assim coartados da plenitude da sua liberdade. E, assim, num país como Portugal, em que a mobilidade social ascendente não aumenta desde a década de 90, que futuro, afinal, se nos apresenta?

Começa a instalar-se a narrativa de que os jovens irão viver pior que os seus pais. Esta projeção representa uma alteração profunda da forma como as famílias, as sociedades encaram o futuro.

Mas as desigualdades e a pobreza não têm de ser uma inevitabilidade, são outrossim o reflexo de escolhas políticas. As pessoas precisam de respostas que lhes permitam progredir, em vez de soluções que pretendem apenas alimentar ciclos viciosos de pobreza.

Precisamos no espaço público de um discurso aspiracional assente em propostas concretas, e que materializem a visão de um futuro melhor.

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Eurodeputada do PSD

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