Opinião

Um tempo especial

No Natal, tempo do presépio e da família, celebramos o nascimento de Jesus Cristo. É o final de um ciclo e o início de outro. Em jeito de pausa, olhamos para o ano em revista, que passou sem praticamente darmos conta.

Fazemos uma avaliação do que correu bem e mal, e afinamos agulhas para que 2022 seja um ano melhor do que o anterior. Foi, como sempre, mais um ano de aprendizagem. Mas, afinal, como é que sentimos e vivemos o Natal? Qual é a história do seu Natal?

Os cheiros e as texturas da época e os (para mim) terríveis dias pequenos marcam a estação. Felizmente, digo eu, daqui para a frente, os dias são maiores. Mas este é o tempo do reencontro, do abraço e das iguarias. Sentamos à mesa a alegria, o convívio, mas também o medo com o malvado do vírus que não nos tem dado tréguas. Em tantas casas encontramos o preguiçoso, o tagarela, o organizador, o sisudo, o que atrapalha, o que passa o dia no sofá, o que só fala de política, o que quer abrir os presentes, o que pensa na dieta a começar em janeiro... Em cada cidade ou região, a riqueza da nossa gastronomia traz variedade às nossas mesas. Entre rabanadas, sonhos e filhoses, o bacalhau ou o peru são por norma os protagonistas. A consoada e o almoço de Natal são regados com um bom vinho que traz a nu o melhor e o pior de cada um de nós!

PUB

O entretenimento, esse, é também variado. Nos jogos de tabuleiro, destaque para o inigualável e intemporal Monopólio. Ainda à mesa, há sempre as insondáveis conversas que se prolongam depois das sobremesas, com direito a intervalo entre cada cálice de vinho do Porto. O típico filme de Natal que obriga alguns a adormecer no sofá, situação quase inevitável depois de um jantar ou almoço generoso (e frequentemente guloso). Na árvore de Natal, os presentes esperam, enquanto os mais pequenos até desesperam. Quanto a mim, depois da ceia, a escolha passa pela missa do galo, à meia-noite em ponto.

Nesta época de luz e calor, é impossível esquecer aqueles que nestes dias de festa continuam a cuidar de nós, do outro, nos hospitais, nos lares, nas ruas, mas também aqueles que sozinhos navegam esta quadra, muitas vezes ao frio ou à chuva. Ou ainda os que recentemente perderam os seus entes queridos.

Este tempo de celebração convida-nos, pois, também à compaixão e à solidariedade, na esperança de trabalharmos enquanto sociedade para que no próximo ano mais famílias partilhem do conforto, da segurança e do amor que o Natal deve representar.

Que aproveitemos, também, este Natal para refletirmos sobre o que queremos mudar nas nossas vidas, individual ou coletivamente, e fazermos de janeiro o início de um novo ciclo. Que seja o advento de algo bom.

*Eurodeputada do PSD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG