Opinião

Uma crítica ao PS não é uma crítica à democracia

Uma crítica ao PS não é uma crítica à democracia

Esta semana fica marcada por dois episódios, de natureza distinta, mas sintomáticos de uma democracia que, a cada dia que passa, respira pior.

Refiro-me ao caso da Comissão das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril e do seu responsável, e ao envio de dados de manifestantes anti-Putin à embaixada russa em Lisboa pela Câmara Municipal de Lisboa. Estes casos geraram uma onda de indignação generalizada (e justificada) por motivos diferentes, mas também por haver gente disponível para defender o Governo do indefensável e com uma atitude típica de extremistas religiosos ou hooligans de um clube de futebol.

O 25 de Abril é um marco da liberdade e do caminho para a democracia portuguesa e para ele foram vários os intervenientes que, da Esquerda à Direita, deram o seu contributo. É e deve ser uma data sem donos, verdadeiramente plural e inclusiva. No entanto, a escolha do primeiro-ministro choca com o carácter abrangente e pluralista que estas comemorações devem assumir, não só pela pessoa em causa, mas também (e principalmente!) pelo processo como tal seleção foi feita. Uma seleção feita de forma unilateral, sem consultar outras forças políticas, e acima de tudo com uma duração e remunerações inaceitáveis e que mais parecem configurar um pagamento pelo apoio serviçal ao PS na Comunicação Social do que um serviço à República. Mas, caro leitor, a minha crítica em nada se confunde com qualquer postura contra o 25 de Abril! Pelo contrário, exaltar o regime democrático seria respeitar mais o cidadão comum, e os 60% de portugueses que ganham 800€ ou menos.

Outra situação gravíssima é a partilha de dados de manifestantes anti-Putin à Embaixada russa pela CM de Lisboa. A cedência de dados de cidadãos privados viola as regras de direito à privacidade e proteção de dados e é contrária aos princípios do Estado de direito português. É natural que perante a seriedade do sucedido, se exijam responsabilidades. O que não é normal é a narrativa repetida por comentadores de política nacional afetos ao PS e por dirigentes do mesmo, que desvalorizam a responsabilidade de F. Medina. Estes casos (sabe-se já que aconteceu o mesmo com a embaixada da Venezuela e da China, entre outros) não colocam só em perigo estas pessoas, mas as suas famílias nos países de origem que estão desprotegidas. Este caso envergonha Portugal na Europa e no Mundo.

A lealdade de muitas figuras parece ser ao PS em vez de a princípios e convicções. Tudo se torce e distorce na tentativa de justificar o injustificável. No PS a responsabilidade política perante desastres continua desaparecida desde Entre-os-Rios.

*Eurodeputada do PSD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG