O Jogo ao Vivo

Opinião

Uma vida mais cara

A guerra na Ucrânia continua a marcar a agenda política e económica na Europa e no Mundo. Longe de vivermos o sofrimento ucraniano no terreno, a verdade é que a guerra, além dos sentimentos que nos desperta, se vai sentindo nos bolsos de cada português.

As dúvidas quanto à duração da guerra alimentam também a incerteza do cenário económico dos próximos meses. Portugal foi dos países da União Europeia em que se verificou o maior trambolhão económico durante a pandemia. Em 2020, o PIB caiu 8,4% e em 2021 apenas cresceu 4,9%, ficando abaixo do nível pré-crise e da restante Zona Euro. Portugal precisava, agora, de alguma estabilidade para poder recuperar de dois anos de pandemia. A verdade é que têm sido semanas marcadas por anúncios da subida da inflação e, previsivelmente, das taxas de juro. O cenário avizinha-se mais negro para a retoma da frágil economia portuguesa. Vamos tentar, então, perceber o que tudo isto quer dizer.

Quando ouvimos falar em subida da inflação, normalmente não são boas notícias. De forma simples, a inflação representa o aumento do nível geral dos preços. Significa que o nosso cesto de compras no supermercado fica mais caro e, se não houver um aumento salarial proporcional à subida dos preços perdemos poder de compra. Ou seja, com o mesmo valor do nosso salário compramos menos bens e serviços. Possivelmente já observa isto de cada vez que faz compras ou abastece o seu carro. Está tudo mais caro. Para muitos portugueses, em vez de sobrar salário no fim do mês, sobra mês no fim salário.

PUB

Para gerir o fenómeno da inflação, o Banco Central Europeu (BCE) vai mexendo na taxa de juro, que serve de travão a aumentos sucessivos dos preços. Significa que quando a inflação sobe consideravelmente, o BCE também pode subir a taxa de juro, encarecendo o acesso ao dinheiro, ou seja ao crédito das famílias e das empresas, por forma a reduzir a pressão do lado da procura (consumo), com o objetivo último de fazer baixar novamente os preços. As consequências de menos investimento pelas empresas devido ao crédito mais caro e ao orçamento familiar reduzido pela subida da prestação mensal ao banco podem levar a uma desaceleração da economia.

Ainda não recuperamos do impacto da crise provocada pela pandemia. E acresce agora a possibilidade de prolongar a recuperação por força das consequências mais e menos imediatas da guerra às portas da Europa. A dívida pública continua muito alta e a dificultar a gestão orçamental. No entanto, isso não significa nem justifica a perpetuação do estado vegetativo da economia portuguesa. O grande objetivo do Governo que entrar em funções tem de ser o crescimento económico! Apenas com uma economia mais dinâmica, moderna e a crescer, os portugueses poderão ambicionar melhores salários e deixar de fazer contas à vida sempre que atestam o depósito do carro.

*Eurodeputada do PSD

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG