Opinião

Agora mais a frio

Um gajo aos 43 anos tem pouca pachorra e ganha a capacidade de dizer "no meu tempo". Pois bem, é velho cliché das TV irem para a rua em datas festivas inquirir transeuntes sobre questões que deveriam ser cultura geral elementar.

Por exemplo, vem aí o 25 de Abril, portanto vamos à rua ouvir os portugueses. No meu tempo, se a perguntas como: Quem foi Salazar? Salgueiro Maia ficou conhecido pelo quê? O que aconteceu a Marcello Caetano?... Se a resposta era ignorante, as pessoas ficavam cabisbaixas, acabrunhadas, algumas cavavam um buraquinho onde se enfiar, e a réplica triste, sumida, dir-se-ia suplicante era "Não sei...". Hoje, no mesmo contexto e às mesmas perguntas, a ignorância é praticamente celebrada. Nem hesitam. Respondem "sei lá!" e ainda se riem, orgulhosos. O "para que é que isso interessa?" ainda não se ouve, mas virá decerto com a próxima geração. Isto a propósito da displicência cabotina de Rafa Silva, um jogador que estimava, quando lhe perguntaram sobre a (épica) eliminatória entre Arsenal e Benfica de 1991. Que não sabe, não ouviu dizer, não pesquisou. O que isto diz sobre a cultura de comunicação interna do clube e preservação da mística é obviamente terrível e dava para publicar em tomos. O que nos diz sobre um jogador profissional, regiamente pago, habitué de poses no Instagram com o seu cachorro de pedigree, é talvez pior ainda. Meu, que não sejas benfiquista, uma pessoa percebe. Que estejas pessimamente informado, um tipo até aceita. Agora que sejas tão arrogante ou tão burro que nem o saibas disfarçar, é imperdoável. Onde está o Jorge Mendes quando se precisa mesmo dele?

A subir
Selecção nacional de andebol, épico. Todos Olímpicos, incluindo Alfredo Quintana.

A descer
O jornal do Benfica FC03, inenarrável.

*Adepto do Benfica

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