Opinião

Síndrome de Estocolmo

Síndrome de Estocolmo

Se for possível descrever como "amor" aquilo que se sente por um futebolista, Rui Costa foi a Julieta para este Romeu. Pelo menos já me fez carpir mais que alguns reais desgostos amorosos.

Chorei lágrimas felizes quando ele e João Vieira Pinto eram os meninos de ouro do Benfica, quando marcou aquele último penalty frente ao Brasil (levando à loucura a velha Luz num dia onde couberam lá 125 mil pessoas), caí em prantos quando saiu para a Fiorentina (na altura a mais alta venda do futebol luso), lacrimejei com ele naquele golo contra o Benfica, emocionei-me quando passou o testemunho a Kaká no Milan, vibrei com o seu regresso ao Benfica, quase tive um ataque cardíaco naquele slalom culminado em golaço perante a Inglaterra no Euro-2004, vi-me e desejei-me para encontrar internet no outro lado do mundo só para poder ver em direto - e compulsivo choro - a sua despedida dos relvados com a camisola do clube do coração. Literalmente persegui-o durante anos para o persuadir a ser meu convidado televisivo (que foi, brilhante, no "5 para a Meia-Noite").

Até já tive a honra de defender um petardo seu num torneio solidário e perguntar, com toda a honestidade, se era possível interromper a partida por um minuto para me recompor (e porque é complicado ser guarda-redes com os olhos marejados). Ah, e trata-se ainda da única pessoa a quem alguma vez pedi um autógrafo. Não duvido, ninguém duvida, do seu benfiquismo. É por isso que a sua permanência na presente - e aparentemente eterna - administração do Sport Lisboa e Benfica só pode ser atribuída àquela condição clínica que algumas vítimas de cativeiro sentem defronte do seu raptor.

Rui, se és refém de Vieira, por favor pestaneja 1904 vezes.

A subir

Paulo Bernardo. Epá vão ver.

A descer

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Jorge Jesus, diga-se o que se disser, o homem merece o Panteão Nacional. Tipo já.

*Adepto do Benfica

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