Opinião

Uma seleção de Picassos

Uma seleção de Picassos

Haverá (sempre) uma dívida eterna de gratidão para com o Engenheiro Fernando Santos. Primeiro: ninguém fez melhor do que ele como seleccionador. Segundo: é um homem íntegro, duma exemplar rectidão - algo que deveria ser inspirador para tanto carapau de corrida cá no burgo (e não só).

Mas há um tempo para tudo na vida. Houve um tempo para Vieira, Pinto da Costa, Jorge Jesus, há um tempo para muitos casamentos, certas amizades, até as conservas têm um tempo - longo, mas longe de infinito. O prazo de validade não perdoa nada nem ninguém.

Olhar para a selecção ao dispor de FS é perceber que, apesar de um ou outro equívoco, como Cédric Soares ou Luís Neto, há duas grandes opções por posição. Um perfeito luxo. Todavia, ver o retorno de todo esse talento é, desde há muito, tão agradável como a broca do dentista. O futebol praticado é previsível, timorato, tão atraente como a ideia de apagar um charuto nos glúteos. Não pode ser tolerável para qualquer amante do desporto-rei que um dos melhores plantéis do planeta renda tão poucochinho. É hora de agradecer os incríveis serviços prestados e passar testemunho. Talvez um Leonardo Jardim ou um Luís Castro. Não podemos correr o risco de desperdiçar a criatividade de Bernardo e Bruno, a explosão de Jota e Neto, a eficácia de Cristiano e André, a dupla Pepe/Rúben, o acerto de Neves e Danilo, a categoria de Cancelo e Raphael, a imprevisibilidade de Félix e Sérgio, tantos.

Um impressionante conjunto de Picassos que, ao invés de pintarem, parece que só brincam com plasticina.

A subir
"Falar Benfica", novo podcast de vozes benfiquistas independentes. Cada vez menos raro, felizmente.

A descer
Diego Costa, um jovem baratinho, de bom feitio, com muito para dar ao futebol. Nova novela à vista.

*Adepto do Benfica

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