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Luís Pedro Carvalho

#windfall

Em Londres, ainda Boris Johnson estava em Downing Street e já se tinha decidido taxar os lucros extraordinários das petrolíferas (windfall tax). Em Madrid, propôs-se taxar de forma extraordinária o lucro extraordinário da banca e setor da energia. Em Viena, há propostas em discussão para a aplicação de uma taxa semelhante. Em Roma, já houve uma primeira aplicação da medida, apesar de nem tudo ter corrido bem. Em Washington, o Senado propôs uma taxa, apesar de não ser fácil que passe no Congresso. Em Bruxelas, o governo local já anunciou uma forma de "windfall tax", com base em legislação pré-existente. Também em Bruxelas, a União Europeia - essa perigosa organização esquerdista - está a preparar uma taxa semelhante a 27. Em Lisboa, o Governo PS está com pena das empresas que estão a aumentar os lucros enquanto aproveitam a crise. "As empresas não estão preparadas", diz ao JN o ministro Costa e Silva, enquanto a Apetro, a associação que representa as empresa petrolíferas, até não se mostra contra uma medida desse tipo, dentro de certos parâmetros. E surge na memória a batida frase de Nanni Moretti, em Abril: "Diz qualquer coisa de Esquerda".

Luís Pedro Carvalho

#fascínio

Durante anos, a rainha soube o que iria acontecer no dia em que morresse, num plano tão secreto, que até nós aqui em Portugal já o conhecíamos. A BBC tinha ensaios regulares para treinar o momento em que a notícia seria dada à população e o apresentador destinado a ser o rosto desse momento, Huw Edwards, treinava o momento ao espelho em casa. E tudo foi seguido quase à risca. Quem naquela quinta-feira olhasse para as notícias sobre o plano "London Bridge is down" e visse o que estava a acontecer em terras de sua majestade percebia a mensagem escondida. O tweet sobre o agravar do estado de saúde, a família a reunir, as caras fechadas dos parlamentares que trocavam papelinhos. Com toda esta organização, ainda há quem me pergunte por que razão, desprezando os valores da monarquia, me sinto fascinado por ela.

Luís Pedro Carvalho

#jovem

Não sei se sou novo ou sou velho. Ando algures ali pelo meio. Já não tenho 20 anos, mas ainda me faltam alguns para os 40. Os primeiros cabelos brancos já aparecem de esguelha, mas ainda visto o que sempre vesti: uma t-shirt, calças de ganga e sapatilhas. E por que raio vos estou a falar disto? Não posso queixar-me do que a vida me trouxe, mas a idade é ao mesmo tempo definidora de muita coisa, mas, em simultâneo não quer dizer nada. Atualmente, parece que ser jovem é ter o futuro trilhado numa qualquer janela que alguém fechou à pressa. É difícil arranjar emprego; quando se arranja, paga mal; para além de pagar mal, o "jovem" é visto com paternalismo, mesmo se hipercompetente; se vive em casa dos pais, perguntam-lhe "porque não sais?"; mas se o emprego paga mal, não há oportunidades e as casas estão caras, o que pode ele fazer?

Luís Pedro Carvalho

#euavisei

É muito deselegante dizer "eu avisei", mas há alturas em que é mesmo o que apetece esfregar na cara dos outros. Quando estamos a avisar o nosso filho que vai cair, ele ignora e acaba a rebolar pelo chão; quando explicamos que algo deve ser feito de uma certa forma, fazem "ouvidos moucos" e o trabalho corre mal; quando alertamos para os perigos das janelas russas e ninguém nos ouve. Claramente, o JN não é lido entre a elite russa, se não o presidente da Lukoil, petrolífera russa que exigiu a Putin o fim da guerra na Ucrânia, teria tido mais cuidado ao aproximar-se da janela de um hospital em Moscovo. Percebe-se que não leu o texto com conselhos para prevenir tonturas que escrevi em março. Resolveu aproximar-se da janela para respirar um pouco do ar de verão da capital russa, teve uma "tontura" e caiu. Eu avisei.

Luís Pedro Carvalho

#Coldplay

Tenho uma questão para vos colocar. Onde andam, no dia a dia, os fãs ferrenhos capazes de passar horas - e até dormir - à porta de uma loja até conseguir comprar bilhetes para os Coldplay? Confesso que não conheço nenhum. Será esta loucura toda por causa do Chris Martin e amigos? Ou ressaca dos dois anos em que as idas a concertos estavam muito limitadas e tudo o que vier à rede é peixe? É que os bilhetes não são baratos. Aliás, fiquei de olho numas entradas "vip" a 500 euros, que permitiam acesso mais cedo à loja da merchandising (mas não o oferecia) e a possibilidade de tirar uma fotografia com o cartaz da digressão. Será que era com estes bilhetes que teria a honra de pedalar para recarregar baterias do material de palco, para a banda poder dizer que esta é uma digressão "eco-friendly", com emissões reduzidas?

Luís Pedro Carvalho

#Couraíso

Para quem frequenta o anfiteatro natural da praia do Taboão, em Paredes de Coura, já é comum falar-se em "Couraíso" para descrever o festival de música que hoje termina. Julgo que a expressão terá sido cunhada pelo José Miguel Gaspar, numa das várias edições em que lá passamos uma semana a trabalhar. Mais do que um local onde estive várias vezes ao serviço do JN, Coura é uma experiência formadora enquanto ouvinte de música e um sítio que desperta recordações. Foi o primeiro festival, em 2001, que me deixou a roupa encharcada na tenda e o cartão de contribuinte esborratado. Coura são Yeah Yeah Yeahs, Gotan Project, Ty Segall, ASIWYFA, NIN, Seasick Steve e aquele concerto inenarrável dos Pop dell'Arte. Coura são os "cromos" de Vila do Conde que se divertiam a ver a malta a escorregar na lama e o Marco, que não pagou a consulta aos bons samaritanos que o levaram ao centro de saúde. Coura é o senhor Acácio e é a dona Glória, que todos os anos nos recebiam em sua casa, e o emigrante na Suíça que foi apanhado numa foto de jornal a dormir na vila. É o Tiago a cair, o Artur a relatar a queda e o Rui a correr com as máquinas de palco para palco. É também aquele festival de 2004 a que eu tinha a certeza que ia, nem que chovessem picaretas. Não estive lá este ano, mas fico feliz que tenha regressado e com força.

Luís Pedro Carvalho

#forçaSérgio

Espanta-me a comoção que por aí anda com o salário do novo assessor do Ministério das Finanças, Sérgio Figueiredo, que vai receber 5800 euros (mais IVA) para analisar políticas públicas do Governo (realmente, com tanta gente capaz no Estado, era preciso mais uma pessoa para saber se o que andam a fazer vale mesmo a pena). Tendo em conta que Figueiredo teve cargos de administração na EDP Produção e na Fundação EDP, ainda antes de seguir para a TVI, é natural que tenha tido bons ordenados. Só na fundação, em 2009, auferiu 152 mil euros, conforme escrito no relatório e contas. Posso presumir que os restantes salários não tenham sido diferentes. Assim percebe-se que a opinião pública está inquinada neste caso. Ao ver um homem já a caminho dos 60 anos sem que lhe fosse conhecida profissão, Medina, a quem Figueiredo tinha pagado para comentar na TVI, propôs-lhe uma assessoria para passar o tempo e ganhar uns trocos a recibos verdes, até conseguir algo mais estável. Fica esclarecido o ajuste direto, por ser um caso de solidariedade. Mais uma vez, a matriz social do PS a sobressair. Mais um possível desempregado de longa duração a conseguir dar a volta e a regressar à população ativa e empregada.

Luís Pedro Carvalho

Um minuto para a meia-noite

António Guterres está longe de ser um líder político que desperta paixões. Calmo e sereno, está sempre à procura da conciliação, de ouvir mais do que de decidir. Há quem diga que até demais. Mas esta semana foi duro e conciso na análise que fez ao momento que a Humanidade vive. Estamos a "um erro de cálculo da aniquilação nuclear", afirmou, lembrando que temos tido uma "sorte extraordinária até agora", mas que a "a sorte não é estratégia nem escudo para impedir que as tensões geopolíticas degenerem em conflito nuclear".

Luís Pedro Carvalho

#disparate

Quando ler estas linhas, estarei a terminar uma semana de repouso algures no cimo de um monte perto de Ponte de Lima. Última casa de uma aldeia onde só vi uma pessoa (uma única vez), cavalos selvagens a alguns metros e vacas a pastar em redor do muro. Um local perfeito para desligar do stresse do dia-a-dia, dos computadores, máquinas, trânsito e poluição. A um quilómetro, um pequeno charco com sapos e uma vista de cortar a respiração. Supermercado ou café mais próximo serão a cerca de oito quilómetros. Longe de tudo. Felizmente, trouxe o computador para escrever este texto, o sinal de wi-fi é bom para ver um filme e o 4G funciona às mil maravilhas para estar a partilhar imagens a fazer inveja aos colegas e mandar algumas piadas nos grupos de WhatsApp que frequento. Uma ode ao disparate.

Luís Pedro Carvalho

#Dmytro

Muda o nome e mudam os pormenores, mas a tragédia repete-se. Se na última semana vos falei de Liza, de quatro anos, que morreu vítima de um ataque russo na Ucrânia, hoje falo-vos das fotografias da morte de Dmytro, uma criança que, aos 13 anos, viu a vida terminada à bomba, em Kharkiv. O momento ficou eternizado através das objetivas de vários fotojornalistas, em imagens cruas, difíceis de ver, com o pai a segurar-lhe a mão durante duas horas, de olhar vazio. Questionei-me sobre a pertinência de divulgar imagens tão gráficas. Conversamos na redação sobre o tema. E decidimos publicar, sem suavizar a imagem, porque a guerra não é suave. A guerra é isto. E este é só um exemplo de todas as atrocidades que estão acontecer a quatro mil quilómetros do nosso país, mas cada vez mais distantes do nosso olhar.

Luís Pedro Carvalho

#acabouaguerra

E de fininho, acabou a guerra. Isto é... A guerra está lá, pessoas continuam a morrer, as atrocidades a acontecer, a Rússia continua a bombardear civis. Só que já não faz manchetes nem tem o mesmo destaque. Começou a fase do esquecimento e de o mundo deixar de se incomodar com um conflito sangrento na Europa. Desta feita, o horror chegou de Vinnystya, uma cidade de que quase ninguém ouviu falar, mas que foi atingida com três mísseis. Ao mesmo tempo, em Haia, começava uma conferência sobre crimes de guerra cometidos na Ucrânia. Um hábito de Putin: mostrar músculo quando alguém o coloca em causa. Não nos esqueçamos de quem está a sofrer e não nos queixemos tanto de coisas tão pequenas quando comparadas com a vida de Liza, de quatro anos, cuja última imagem a mostra morta no chão atingida por este ataque.

Luís Pedro Carvalho

#boris

O dia 7 de julho de 2022 vai ficar na história como mais um marco no declínio político do mundo. Boris Johnson começou a fazer as malas para deixar Downing Street. Depois de Trump ter saído da Casa Branca em janeiro do ano passado, falta apenas Bolsonaro para se completar a queda de uma lista de governantes que tanto tinham em comum e que tanto tinham para dar ao Mundo. Principalmente a nível do cabelo. Se, dos três, Bolsonaro se distinguia por ser o único com um estilo aparentemente natural, com a testa funda do lado direito, Boris e Donald partilhavam uma cor invejável. Não esquecendo que, ainda que unidos pelo louro (natural e sintético, dependendo do lado do Atlântico), o britânico optava pelo estilo desgrenhado e o norte-americano pela régua e esquadro. Os sucessores têm largas cabeleiras para preencher.

Luís Pedro Carvalho

#silly

Tempos houve em que a chamada "silly season" estava bem marcada na vida pública nacional. Começava a 1 de agosto e terminava no último dia do mês, talvez até com uma festa ao pôr-do-sol "bye bye summer", porque em inglês é que a gente se entende. Nos últimos anos, as coisas foram mudando e há momentos que me fazem olhar duas vezes para o calendário, para ter a certeza de que não acordei num universo paralelo em que 1 de janeiro é 1 de agosto e o verão dura o ano inteiro (alterações climáticas a fazer das suas). Quinta-feira foi um desses dias. Para além de olhar para o calendário, tive de ler várias vezes o comunicado do gabinete do primeiro-ministro sobre o despacho de Pedro Nunos Santos. Um despedimento em praça pública. Mais surreal foram as cambalhotas que fizeram com que o dia terminasse com um "tudo como dantes, quartel-general em Abrantes".

Luís Pedro Carvalho

#bombeiros

Ter de contactar com bombeiros em situações de emergência não é, à partida, algo agradável, como é natural. Já por algumas vezes tive de recorrer a estes homens e mulheres, a que ia chamar de profissionais, mas que infelizmente são, na sua maioria, voluntários mal pagos. E apesar de as circunstâncias nunca terem sido agradáveis, tenho tido experiências que só não foram piores porque as equipas que responderam à chamada o impediram, com uma postura de louvar. Simpatia, profissionalismo e extrema paciência com pacientes teimosos e com pouca vontade de colaborar. E nem mesmo naqueles momentos em que sei que já não teria paciência, mais um sorriso e um pequena piada ajudaram sempre a tornar a situação complicada num momento que rapidamente passou. Aos bombeiros deixo um agradecimento e o desejo de nos cruzarmos poucas vezes.

Luís Pedro Carvalho

#troti

Como contei na semana passada, o meu meio de transporte para ir trabalhar diariamente é uma trotineta. Sempre que revelo a alguém a decisão que tomei em novembro, sou recebido com um olhar de espanto e um ligeiro sorriso trocista. Há um preconceito na nossa sociedade, que ainda vê o carro como um sinal de status. Como se costuma dizer, "é para o lado que durmo melhor". Ganhei qualidade de vida, poupei em tempo de deslocação e poupei em custos de combustível. Só vantagens. Mas quem é olhado de lado sou eu e não quem desperdiça tempo e dinheiro com a deslocação diária de automóvel. O problema é que, por vezes, até eu fico constrangido. Ainda há dias, a trotineta avariou a meio do caminho. Lá tive de entrar no metro com ela. Provavelmente, ninguém quis saber da minha existência, mas posso jurar que senti aquele olhar crítico: "um homem adulto a fingir que ainda é jovem".

Luís Pedro Carvalho

#suave

A mobilidade suave nas grandes cidades fará parte do nosso dia a dia. Já a adotei há alguns meses e passei a vir trabalhar de trotineta, um momento de lazer em dia laboral. Perfeito para quem vive a poucos quilómetros do emprego. E se em Lisboa se arrancam ciclovias, para voltar a dar ao carro o lugar de destaque, noutras cidades crescem os espaços para tornar bicicletas e trotinetas algo mais do que uma brincadeira. E no resto deste país, em que a Almirante Reis se tornou tópico artificialmente nacional? Autocarros de longe a longe e que podem, ou não, chegar a horas. Comboios lentos. E o carro como única solução para quem precisa de se movimentar no dia a dia. A "capital do império" tem de ser o exemplo, mas o problema que devíamos estar a discutir está muito para lá do eixo Praça do Comércio/Avenidas Novas.

Luís Pedro Carvalho

#julgamento

Por momentos, a guerra parou. A solidariedade passou para segundo plano, a horrível contabilidade das mortes deixou de nos impressionar, as bombas continuaram a cair, mas deixaram de se ouvir. E a atenção do mundo virou-se para um tribunal norte-americano, onde dois atores, provavelmente ambos com muitos pecados para expiar, lavavam a roupa suja em frente a milhões de pessoas. E no dia do veredito, em que numa reviravolta digna de drama de segunda categoria o júri foi mandado para trás, por não ter preenchido bem um formulário, os olhos colaram-se no último episódio da novela Amber Heard/Johnny Depp. Pouco interessa quem foi considerado culpado. Respiremos fundo, ergamos o queixo e continuemos em frente, que a luz ao fundo do túnel continua a parecer um ponto muito distante para quem tem de viver com o conflito à porta.

Luís Pedro Carvalho

#Columbine

Mário Rui de Carvalho, antigo jornalista português da CBS, escreveu certa vez que em cenários de guerra temia as crianças armadas, por serem menos ponderadas e de gatilho mais fácil. Talvez amedrontadas, encontravam na arma a confiança e proteção. Um cocktail explosivo: medo e armas. E este pode ser o resumo da explicação do documentarista Michael Moore, em "Bowling for Columbine", filme de 2002 sobre o massacre na escola de Columbine, onde morreram 17 pessoas. Não sei se os dados que apresenta serão corretos, não sei se as polémicas sobre a execução do filme são reais. Mas faz sentido: num país em que as polémicas e problemas internos se resolvem com bombardeamentos do outro lado do Mundo e tudo gira em torno de mensagens de medo, o acesso a armas sem grande controlo é a chama que acende o rastilho. Vejam. Descontem os excessos de Moore e tirem conclusões.

Luís Pedro Carvalho

#queeusaiba

E estamos de volta. As máscaras, a desconfiança no olhar ao entrar num local com muita gente, aquela notícia quando chegamos ao trabalho: "então, já sabes? O Zé tem covid". E o diálogo que se segue é sempre muito parecido: "ai é? Onde apanhou?". "Foi no batizado do sobrinho por afinidade, do lado da prima da mulher. Até a sogra ficou doente". Depois de feita a radiografia do momento da infeção, surge a fatídica pergunta de acompanhamento. "E tu, já tiveste?". E neste momento, quem, como eu, tem passado pelos pingos da chuva da covid, responde com ar cabisbaixo, de quem falhou na vida e não tem amigos que o contagiem: "não, ainda nada". Mas é aí que há uma réstia de esperança na resposta, como quem diz que também é um ser social e com uma vida interessante. Mostramos as mãos no ar, encolhemos os ombros e ressalvamos: "Não tive.... que eu saiba".

Luís Pedro Carvalho

#sindicatos

Hoje venho aqui falar de uma coisa que me anda a atormentar: a taxa de sindicalização. Há um claro decréscimo do número de trabalhadores sindicalizados, o que se nota na precarização e na deterioração das condições laborais e higiene e segurança no trabalho. Tal como aventei ainda em março, uma das profissões onde o problema se nota mais é na de oligarca russo. A taxa de mortalidade da oligarquia nos últimos dois meses disparou e não há um sindicato que se reúna com o patronato, de forma a pôr mão no problema. Os meus conselhos para a prevenção de tonturas parecem ter resultado, mas não tinha pensado nos problemas resultantes de envenenamento por chumbo disparado por armas ou veneno de sapo administrado por xamãs para curar ressaca. Erro meu. Haja um sindicato que ponha Putin em sentido.

Luís Pedro Carvalho

#SG

Partilho com muitos portugueses a devoção pelo Sérgio Godinho, cujo trabalho acompanha a minha vida desde ainda antes do berço. Quando percebi que a Capicua estava a coordenar uma homenagem, com o título SG Gigante, fiquei curioso mas com medo de ser desiludido. Pegar em temas como "Brilhozinho dos Olhos", a "A Noite Passada" ou "O Primeiro Dia" é mexer com material sagrado e é preciso "ter unhas". Agora que o SG Gigante está aí, respiro de alívio. Uma justa e bonita homenagem da dita "música urbana" a um cantautor que sempre soube manter-se a par do que se estava a fazer a cada momento, juntando-se aos melhores músicos de várias gerações, como os Clã ou a própria Capicua. Por isso, resta-me apenas agradecer esta celebração dos 50 anos de "Os Sobreviventes" e criticar o facto de serem apenas seis músicas. Quero mais.

Luís Pedro Carvalho

#mano

Se todos podem ter uma teoria sobre como acabar com a guerra (e cada uma mais brilhante do que a outra), também quero participar no brainstorming. Hoje tive uma epifania. A solução está mesmo aqui ao nosso lado. Nas escolas, nos transportes públicos e nos cafés. Em todo o lado se ouve o mesmo: "ó mano, é top", "ó mano, tens de ver isto", "mano, já não te via há tanto tempo". É bonito perceber que finalmente se conseguiu um clima de paz social tão profundo no nosso país, em que todos somos irmãos. Proponho então o envio de uma missão de "gunas" capacetes azuis, ao serviço das Nações Unidas, para espalhar este sentimento fraterno entre Moscovo e Kiev e terminar as hostilidades. Nada mais bonito do que uma negociação de paz selada com um abraço entre Putin e Zelensky, ambos em lágrimas e a dizer "maaaannooooo".