O Jogo ao Vivo

Opinião

#Couraíso

Para quem frequenta o anfiteatro natural da praia do Taboão, em Paredes de Coura, já é comum falar-se em "Couraíso" para descrever o festival de música que hoje termina. Julgo que a expressão terá sido cunhada pelo José Miguel Gaspar, numa das várias edições em que lá passamos uma semana a trabalhar. Mais do que um local onde estive várias vezes ao serviço do JN, Coura é uma experiência formadora enquanto ouvinte de música e um sítio que desperta recordações. Foi o primeiro festival, em 2001, que me deixou a roupa encharcada na tenda e o cartão de contribuinte esborratado. Coura são Yeah Yeah Yeahs, Gotan Project, Ty Segall, ASIWYFA, NIN, Seasick Steve e aquele concerto inenarrável dos Pop dell'Arte. Coura são os "cromos" de Vila do Conde que se divertiam a ver a malta a escorregar na lama e o Marco, que não pagou a consulta aos bons samaritanos que o levaram ao centro de saúde. Coura é o senhor Acácio e é a dona Glória, que todos os anos nos recebiam em sua casa, e o emigrante na Suíça que foi apanhado numa foto de jornal a dormir na vila. É o Tiago a cair, o Artur a relatar a queda e o Rui a correr com as máquinas de palco para palco. É também aquele festival de 2004 a que eu tinha a certeza que ia, nem que chovessem picaretas. Não estive lá este ano, mas fico feliz que tenha regressado e com força.

*Jornalista

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