Opinião

A arte do bitaite

Medina Carreira, como Marinho Pinto (este por ter sido jornalista, aquele pelo método das tentativas), descobriram que o truque para estar permanentemente em palco no circo dos media não é realizar algo de mérito mas o "sound bite". Melhor, o bitaite: a palavra portuguesa tem a vantagem de sublinhar que, para o efeito pretendido, não importa a pertinência ou fundamento do que se diz mas o desconchavo, a rudeza ou o insólito do que é dito, investindo-se na velha máxima jornalística segundo a qual notícia é o homem que morde no cão.

Dentro do vasto domínio do bitaite, Medina Carreira especializou-se no nicho dos anúncios de terramotos (subseccção terramotos económicos e financeiros). Dos seus inúmeros assentos mediáticos, atira regularmente ao povo ignaro a notícia de que o fim do Mundo está próximo instigando-o a penitenciar-se por ter vivido acima das suas (dele, povo, não das de Medina Carreira) possibilidades.

Agora criticou os que "mostram a austeridade como um papão", esclarecendo que (parem, rotativas, suspendam a respiração, redacções: aí vem bitaite!) a ideia de "excesso de austeridade é uma tontice à portuguesa". Porque, como se sabe - e, em Portugal, sabem-no bem trabalhadores, desempregados, pensionistas - a austeridade é como bater com a mão no peito pelos pecados alheios: para os que não pecaram, nunca é de mais.

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