Opinião

Constâncio não antecipa

Constâncio não antecipa

A Reuters difundiu ontem a alvoroçada notícia de que um vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, "não antecipa a saída da Grécia da Zona Euro". Justificadamente, a coisa afigurou-se à Reuters importante: tratava-se de declarações de um vice-presidente do BCE durante uma conferência em Hong Kong do Instituto de Regulação e Risco; e, sendo suposto que o BCE acompanha de perto a situação grega e dispõe, sobre ela, de informação que escapa à maioria dos analistas, a declaração de um seu vice-presidente seria certamente relevante e a ter em conta.

Não terá reparado a Reuters que Vítor Constâncio fez igualmente a relevante declaração de que a Grécia vai "enfrentar uma situação difícil" (coisa que ainda ninguém antes antecipara). Se tivesse reparado, decerto se teria informado melhor sobre o ex-governador do Banco de Portugal e a sua capacidade para antecipar seja o que for. Descobriria então, talvez com surpresa, que Vítor Constâncio só antecipa acontecimentos depois de eles terem acontecido e que, nas suas funções de regulador no Banco de Portugal, conseguiu a proeza de antecipar o que estava a passar-se no BCP, BPP e BPN apenas quando o escândalo apareceu escarrapachado nos jornais.

Assim, por vias travessas, a não-notícia da Reuters acaba sendo notícia. A de que o mais provável é que a Grécia saia mesmo da Zona Euro.