Opinião

E não teve um Oscar

O Governo decidiu impor às empresas públicas que tenham mulheres nos seus Conselhos de Administração e de fiscalização. A secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade explicou à Lusa que a resolução não impõe quotas "ainda", mas que "para muita gente na UE", se até 2015 não houver 30% de mulheres nos conselhos de administração das grandes empresas, será criado um "instrumento vinculativo", o que tanto pode significar que se fará uma lei como que se recorrerá a uma força de intervenção.

A coisa suscita, no entanto, algumas dúvidas: se é o Governo quem, directa ou indirectamente, nomeia os membros dos Conselhos de Administração das empresas do Estado porque é que precisa de uma decisão sua, Governo, para se obrigar a nomear mulheres? Será para poder justificar-se a um improvável "lobby" do macho ibérico que, por sua iniciativa, não nomearia mulher nenhuma, mas que infelizmente foi obrigado a isso? E se o "lobby" lhe perguntar: "Obrigado por quem?", responderá o Governo: "Por mim mesmo"? E uma última dúvida ainda, que a Lusa não esclarece: o filme é com os Irmãos Marx ou com os Monty Python?

O plano (porque, aparentemente, há um "plano") passa também por o Estado apresentar uma proposta, não custa imaginar que "irrecusável", às empresas privadas onde é accionista e às cotadas em bolsa para que façam exactamente o mesmo. (Aqui chegados, já me parece mais tratar-se de "O Padrinho" IV).

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