Opinião

As "gorduras" da AR

A AR anunciou ontem, pela voz da sua presidente, que o seu orçamento para 2012 prevê uma despesa de 95,5 milhões de euros, o que é, segundo Assunção Esteves, " um corte notável". E é. Com efeito, este ano, já com o país com a crise às costas, a AR gastará 130,5 milhões e, em 2010, gastou 50% mais: 196,5 milhões.

Mesmo assim, a AR ainda conseguiu pôr de parte uns trocos (335 mil euros) para "estudos, pareceres, projectos e consultadoria", porque as sociedades de advogados do costume e as dispersas clientelas de "consultores" disto e daquilo também têm que viver. E, do mesmo modo, guardou em pequeno pé-de-meia (141 mil euros, quase 12 mil por mês) para "prémios, condecorações e ofertas" e "artigos honoríficos e decoração", mais do dobro, pois há prioridades, do que lhe foi possível arranjar (70 mil euros) para "limpeza e higiene".

O que mal se compreende, a não ser pelo facto de não se tratar de dinheiro que sai do bolso dos administradores da AR, mas do dos contribuintes, é que, sendo afinal possível, sem prejuízo do funcionamento e luzimento da AR, poupar tantos milhões, por que motivo apenas agora (sob pressão da "troika" e como quem só depois de ver a casa em chamas é que corre a fazer o seguro contra incêndios) isso foi feito.

Entretanto, Vítor Gaspar encontra-se há tempo indeterminado a "raciocinar" para descobrir onde estará a tal "gordura" do Estado de que tanto falava Passos Coelho.