Opinião

De corda ao pescoço

Há momentos em que, como toda a gente (mas que sei eu?), também um cronista não tem outro remédio senão pôr a corda ao pescoço e meter-se a caminho de Castela.

Na crónica de ontem, dizia-se "novo" o Estatuto Editorial publicado na mais recente edição do "Expresso". Ora esse Estatuto é de 2008, e a sua (re)publicação agora resultou tão só, tarde o descobri, de imposição legal. Pior: sugeria-se que o artigo 7º desse Estatuto, que prevê a possibilidade de o jornal se abster de publicar notícias que, mesmo sendo verdadeiras e dentro da lei, considere poderem eventualmente ser "nocivas ao interesse nacional", teria relação com a - essa sim, nova - direcção de Ricardo Costa, quando tal artigo consta do Estatuto Editorial do "Expresso" desde... 1974 (tinha Ricardo Costa 6 anos e, na melhor das hipóteses, dirigiria então o jornal do jardim infantil).

Peço, obviamente, desculpa a Ricardo Costa e ao "Expresso", embora, mesmo respeitando a sua provecta idade, continue a achar tal artigo pouco respeitável. Isto por julgar, se calhar em resultado de uma ideia também ela provecta de jornalismo, que o jornalismo é (quando é) coisa séria de mais para que o seu exercício fique sujeito a conceitos tão difusos como o de "interesse nacional", conceitos-mala onde, em cada momento, é possível meter tudo e mais um par de botas. Imagine-se só o que significaria "interesse nacional" em 1974 e o que significa hoje.