Opinião

Memória da "Shoah"

O Horror foi tão grande que Deus, para não ver, virou a cabeça para o lado e fechou os olhos, suspendendo a respiração.

"Onde estava Deus?" é a angustiante pergunta que, perante algo tão absolutamente impensável como o Holocausto, um crente (ou um não crente; Paul Celan, cuja família foi inteiramente dizimada pelos carniceiros nazis, refere-se a essa ausência de Deus, que é ausência de sentido, dizendo Ninguém) inevitavelmente põe. Uma pergunta sem resposta a não ser novas perguntas, ou uma pergunta cuja resposta está para além do que pode ser articulado, num lugar inabitado onde nenhuma linguagem alcança.

Ontem, data da libertação, há 65 anos, do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, assinalou-se o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, memória, sobretudo, das suas inumeráveis vítimas anónimas, na sua imensa maioria judeus.

Mas as imundas ideias onde se fundou a "Endlösung der Judenfrage" ("Solução final da questão judaica"), ou o homicídio indiscriminado e brutal de milhões de seres humanos sem outro motivo que não a sua origem ou religião, não germinaram espontaneamente na cabeça de Hitler, tiveram, desde os primórdios do cristianismo, uma gestação de séculos. Nem acabaram com Hitler. Hoje, a aliança entre o fascismo teocrático islâmico e alguma esquerda herdeira do Marx de "A questão judaica" lembra de mais o pacto Ribbentrop-Molotov para não ser assustadora.

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