Opinião

"Não seria estranho"

Está tudo explicado. Os cancros de alguns líderes "anti-imperialistas" da América Latina foram provocados pelos Estados Unidos. A notícia, sob a forma de reflexão "em voz alta", foi dada por Hugo Chávez num discurso feito numa base militar - provavelmente, digo eu, algum novo destacamento anticancerígeno do exército venezuelano - e transmitido pela TV: "Não seria estranho se eles tivessem desenvolvido tecnologia para induzir cancro e ninguém soubesse disso até agora..."

Já há cinco vítimas: os presidentes da Argentina (Cristina Kirchner, cancro na tiróide), Paraguai (Fernando Lugo, linfoma não-Hodgkin), Brasil (Lula, cancro na laringe, e Dilma Roussef, linfoma axilar), e o próprio Chávez. O caso de Chávez demonstra que os EUA ainda não dominam completamente a tecnologia cancerígena: o "Wall Street Journal" anunciou que o cancro seria no cólon mas, talvez porque Chávez não pára quieto, acabou por ser atingido no pélvis (e, tudo o indica, no cérebro). Além disso não há meio de conseguirem acertar em Fidel Castro.

Chávez costuma estar bem informado sobre novas técnicas de "guerra suja" dos EUA. Já em 2010 denunciou que o sismo do Haiti fora um "terramoto experimental" dos americanos, ensaio geral de um iminente ataque ao Irão com tremores de terra e maremotos.

Bons e pré-históricos tempos em que os EUA, para eliminarem um líder inimigo, arranjavam militares como Pinochet que lhes fizessem o serviço.