Opinião

O preço de sermos "bons"

O preço de sermos "bons"

Depois de a terem "desanimado" com medidas cegas de austeridade que limitaram dramaticamente a procura interna, a "troika" e o Governo estão agora preocupados em "animar a economia".

"Animar a economia" significa aumentar as expectativas de lucro daquela parte do patronato ainda não satisfeita com despedimentos fáceis e baratos, mais dias de trabalho, "bancos de horas", desregulação laboral, etc.. Isto quando, já em 2011, os custos do trabalho em Portugal (12,1 euros/hora) eram substancialmente inferiores a metade da média da zona euro (27,6 euros/hora).

A ideia é reduzir, no OE de 2013, a TSU paga pelo patronato, de modo a "animar" com mais 840 milhões de redução dos custos do trabalho quem, ao mesmo tempo que constantemente clama por "menos Estado", sempre se habituou, desde os idos da lei do condicionamento industrial, a viver à sombra da árvore das patacas públicas.

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O FMI "admite" ir buscar esses 840 milhões ao aumento das taxas reduzidas de IVA que hoje incidem sobre alguns bens essenciais: carne, peixe, cereais, ovos, leite, azeite, legumes, jornais, livros e medicamentos. Já que, como diz o "troiko" Jurgen Kröger, ao contrário da Grécia e da Espanha, em Portugal "as pessoas são boas" e não reagem, além de que, como diz Cavaco, "a imprensa é muito suave", assistiremos assim a nova e brutal transferência de recursos dos mesmos de sempre para os mesmos do costume.

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