Opinião

Outra vez "monitorizados"?

Outra vez "monitorizados"?

Em 1974, Passos Coelho tinha 10 tenros anos. Não é, por isso, crível que alguma vez se tenha manifestado contra a ditadura ou que tivesse ficha na PIDE, e o seu amor pela democracia será acrisoladamente teórico. No entanto, sabe tudo o que, sobre manifestações, importa saber ao presidente de uma comissão liquidatária da democracia social e económica por conta dos "mercados" e da Sra. Merkel , e que não passa por essa esquisitice constitucional que é a liberdade de manifestação.

E, como o povo tende a ser pobre e mal agradecido quando lhe tiram o pão, já terá posto o ministro das Polícias (contemplado, no OE para 2012, com mais 400 milhões de euros, quando todos os outros ministérios viram os orçamentos reduzidos) a tratar do caso, "monitorizando", segundo informa o DN, "grupos, organizações e protagonistas" através das secretas e reforçando os "operacionais" das "unidades de manutenção da ordem" (apesar de tudo, a expressão "Polícia de choque" era menos hipócrita).

A resposta de Passos Coelho para os problemas inevitavelmente criados pelas suas políticas de desemprego e de miséria parece, pois, ser a consubstanciada no célebre refrão dos Trabalhadores do Comércio: "Quietinho e caladinho ou levas no focinho". Como um outro génio das Finanças, Manuela Ferreira Leite tinha afinal razão quando preconizava a necessidade de suspensão da democracia por seis meses. Ou por 48 anos, só o futuro o dirá.

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