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"Segurem-me, se não..."

"Segurem-me, se não..."

Três meses depois de ter assinado o chamado Acordo de Concertação Social (o tal que o presidente da República diz que "alguns podem invejar"), e quase um ano depois de o Governo PSD/CDS estar em funções, o secretário-geral da UGT descobriu que o Governo não cumpre.

O secretário-geral não terá sabido das promessas com que PSD e CDS alcançaram o Governo nem terá dado conta do modo como tais promessas - do não aumento do IVA nem dos impostos "sobre o rendimento das pessoas" à garantia de que "ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam" - têm sido cumpridas; e muito menos se terá apercebido dos "lapsos" sobre a duração do confisco (que nunca aconteceria) dos subsídios de férias e Natal. Como S. Tomé, quis ver para crer.

E como viu que o Governo, afinal, se "esqueceu" de cumprir tudo o que, no Acordo, poderia eventualmente resultar em benefício dos trabalhadores, seja em matéria de contratação colectiva seja de políticas de incentivo ao crescimento e ao emprego, o secretário-geral ameaçou rasgar o precioso e invejado papel: "Deixo um aviso claro ao Governo e aos empregadores: ou respeitam na íntegra o acordo tripartido ou a UGT denuncia o acordo".

"Ultimato!", clamaram os jornais. Podem, porém, "Governo e empregadores" dormir descansados: a UGT não fará tão horrível coisa "no curto prazo" nem sequer dará qualquer prazo ao Governo para cumprir. Foi só um acesso de sindicalismo, amanhã passa.

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