Imagens

Últimas

Manuel Assunção

O país no seu todo

O relatório da OCDE, que veio a lume em fevereiro, apresenta um conjunto de recomendações oportunas sobre o Ensino Superior, de entre as quais sobressaem a valorização das instituições, o imperativo de um maior e mais estável financiamento do sistema, e uma mais conseguida relação entre a produção de conhecimento e a indústria, essencial, aliás, para garantir a necessária fatia da componente privada daquele financiamento. Uma parte significativa das medidas preconizadas vinha, há muito, a ser referida por agentes nacionais, incluindo responsáveis de universidades e politécnicos. Contudo, anunciadas por peritos estrangeiros a necessidade e a pertinência das medidas têm outro acolhimento...

Manuel Assunção

Inovar no concreto

Inaugura-se hoje mesmo, em Ílhavo, o Creative Science Park da Região de Aveiro (PCI). Trata-se de um parque de ciência e inovação com características únicas no país. Pelo absoluto envolvimento, formal e efetivo, da Comunidade Intermunicipal - CIRA, sócio mais determinante a seguir à Universidade de Aveiro. Pela composição acionista, variada e heterogénea, na qual nenhuma entidade detém posição maioritária e que inclui, para além daqueles parceiros e de naturalmente empresas, associações industriais, câmaras municipais, instituições financeiras e outras (num total de 19 sócios), que asseguram a participação equilibrada do conhecimento, do tecido empresarial e do território. Pela contiguidade ao Campus Universitário (e ao Hospital de Aveiro), condição essencial para as desejáveis interações entre empreendedores e investigadores. Pela localização nas margens da ria, que garante a proteção ambiental de um espaço nobre, de exceção, e fará dele um lugar privilegiado de fruição paisagística e de convívio com a natureza, aberto aos cidadãos.

Manuel Assunção

Saber para além da tecnologia

Vivemos num tempo e em ambientes muito dominados pelos desenvolvimentos tecnológicos. Vivemos, aliás, fascinados com isso: nada mais natural! Sabemos, igualmente, que há hoje uma procura maior de competências nas áreas das Ciências, Tecnologias, Matemática e Engenharias, criando a perceção em quem estuda que se escolher essas áreas terá maiores oportunidades de inserção no mercado de trabalho. Destas realidades até à ideia de que as Ciências Sociais são ciências menores e que as Artes e as Humanidades são apenas importantes enquanto passatempos e "elementos de cultura" vai um pequeno passo.

Manuel Assunção

Hoje é o futuro

O início de um novo ano é um momento, tradicionalmente, usado para fazer balanços e referir desejos, avançar previsões ou enumerar desafios. Faz parte de nós próprios essa necessidade de renovação mesmo que, sem grande surpresa, as promessas que fazemos e os compromissos que dizemos assumir se desvaneçam, muitas vezes, mais depressa que o decorrer do próprio ano. Ainda assim, não fugirei ao hábito e enuncio sete prioridades para o nosso país, no tempo que já estamos a viver:

Manuel Assunção

Equívocos?

A lei do Orçamento do Estado (OE) de 2017 determinou o desbloqueamento das compensações remuneratórias relativas quer à aprovação dos professores em provas de agregação, quer aos aumentos do salário mínimo nacional e do subsídio de alimentação dos trabalhadores da Administração Pública. Essas compensações não foram previstas nas dotações do OE 2017 para as universidades. Porém, o compromisso, assumido ao mais alto nível entre universidades e Governo, estipulou que as instituições seriam ressarcidas através do reforço financeiro correspondente. Esse valor foi apurado, em conjunto, pelas universidades e pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Manuel Assunção

Universidades-fundação: para valer?

A questão do regime fundacional para as universidades públicas voltou à ordem do dia: com toda a propriedade. O regime, que está contemplado numa lei de há dez anos e começou a ser aplicado em 2009, nunca pode ser concretizado com os pressupostos de partida. De facto, a situação que o país atravessou determinou um tsunami administrativo que varreu quase por completo os referenciais gestionários e de apoio do Estado, constitutivas das universidades-fundação. Ficaram apenas duas vantagens: a gestão autónoma do património através de um Conselho de Curadores formado, sublinhe-se, por individualidades indicadas pela própria universidade; e a possibilidade de instituição e manutenção de carreiras próprias em regime de funções privadas, se bem que submetidas ao paralelismo com as carreiras públicas. A que se somaram outras especificidades, não despiciendas, como a isenção de cativações a que a generalidade das outras universidades foi sendo sujeita.

Manuel Assunção

Circularização de comportamentos

Omote, hoje, é a constatação de que mais de 60% dos óleos alimentares usados são desperdiçados. Duma assentada criam-se problemas nas redes de esgotos e nas estações de tratamento, causam-se prejuízos nos ambientes marinhos e perde-se a oportunidade de valorizar um resíduo, reutilizando-o na produção de biodiesel. Com a agravante das empresas que se dedicam àquele negócio terem de importar o produto base de outros países. É um caso que exemplifica a necessidade de alterar atitudes, de pessoas individuais e de agentes públicos, em matéria de reciclagem.

Manuel Assunção

Um verão que se escoa

Quatro pinceladas mais fortes compõem o verão tal qual o vi e vivi. Uma primeira sobre o turismo, cujo crescimento de dois dígitos, de há quatro anos para cá, teima em se aprofundar. O setor, no final de 2017, estará muito próximo de representar 20% do total das exportações de bens e serviços. O nosso país tem mar e praia, tem a hospitalidade e simpatia das nossas gentes. E Portugal está na moda, é óbvio. Porém, há que reconhecer que não é só isso. O património histórico e cultural. A comida e os vinhos de primeira grandeza. As iniciativas de desporto e aventura. O turismo de "experiências". Os estudantes internacionais e o turismo científico. As visitas dos emigrantes e seus amigos. Os estrangeiros que compram propriedades. O turismo de saúde. Até, turismo militar. São tudo vetores que têm vindo a ser trabalhados e que contam. Há mais turistas nas cidades. Há-os no litoral e, cada vez mais, no interior. Reduzir tudo a um simples fenómeno conjuntural não é ser objetivo. Prefiro pensar que é na diversificação que está o proveito; e que será com ela que se ultrapassará a questão da sazonalidade.

Manuel Assunção

Acesso ao Ensino Superior: como escolher?

Estamos em pleno período de candidaturas ao Ensino Superior. É oportuno voltar a sublinhar que o país tem ainda um caminho a percorrer no que se refere ao objetivo 2020 da União Europeia para o número de diplomados: há que continuar a educar e formar mais portugueses! Vale a pena, por isso, insistir no valor das qualificações superiores. Porque elas permitem, em média, menor tempo à espera do primeiro emprego, mais e melhores oportunidades de colocação, remunerações mais elevadas. Já sem falar no valor acrescido que acarreta em termos de cidadania e de enriquecimento do tecido social.

Manuel Assunção

Mais futuro no (do) mar

Foi recentemente inaugurado o ECOMARE, uma nova estrutura que traduz uma vontade antiga da Universidade de Aveiro de assegurar condições de investigação com acesso direto ao mar. Sobreleva, em primeiro lugar, o caráter alargado da parceria subjacente à sua construção e funcionamento: Fórum Oceano - Associação da Economia do Mar, Câmara Municipal de Ílhavo, Administração do Porto de Aveiro, Sociedade Portuguesa da Vida Selvagem, Oceanário de Lisboa, Fundação Oceano Azul, Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, Citaqua - Centro de Inovação e Tecnologia em Aquacultura e Associação Portuguesa de Aquacultores, de uma maneira ou de outra, estão associados à Universidade de Aveiro neste desígnio. É, ainda, raro ver-se em Portugal uma lógica de rede tão ampla, uma tão grande abertura do meio académico ao que o rodeia e uma tão vasta disponibilidade de entidades tão distintas em se agregarem para um fim comum. Bons indícios, portanto!

Manuel Assunção

Portugueses e espanhóis com a mesma agenda?

Apesar da evolução positiva verificada nos últimos anos na cooperação ibérica em matéria de ciência e Ensino Superior, existe ainda um enorme potencial desaproveitado. Como se evidencia, por exemplo, ao nível de publicação conjunta por investigadores portugueses e espanhóis, embora esta venha aumentando exponencialmente; ou, de um modo ainda mais claro, pela mobilidade de estudantes entre os dois países que se situa em números absolutamente incipientes.

Manuel Assunção

Medir o impacto do conhecimento

A importância do conhecimento tem vindo a ser reconhecida e apropriada por crescentes (amplas/largas) camadas da população. Ao que vem associado o modo positivo como as instituições de Ensino Superior são, em geral e crescentemente, encaradas. Estamos já longe de leituras menos favoráveis que, ainda há pouco, eram frequentes entre nós. Para tal concorre, também, a transparência com que as universidades levam a cabo a sua missão, sendo hoje as entidades mais escrutinadas da sociedade portuguesa: Ministério das Finanças, Tribunal de Contas, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Auditores Europeus, Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior, Fundação para a Ciência e Tecnologia, a par de órgãos internos como o Conselho Geral e o Fiscal Único, entre outros, todos olham para o que é e como é feito. Num mundo muito dominado por episódios menos abonatórios, conta, igualmente, a forma como as universidades públicas portuguesas têm sabido fazer uma gestão rigorosa dos financiamentos que recebem, sem escândalos ou casos de corrupção assinaláveis. A que acresce a abertura à sociedade que as rodeia e a captação de fundos complementares que, através de atividade relevante, as universidades têm sabido levar a cabo. As Torres de Marfim têm as suas portas já bem franqueadas!

Manuel Assunção

Em nome da Ciência, a favor de todos

Os avanços da tecnologia vêm determinando um mundo em acelerada mudança: novas oportunidades na produção de bens e nos serviços; novos mercados; desafios distintos nas relações com o ambiente e com o Estado; grandes alterações nos modos de trabalho e nos comportamentos individuais e coletivos. Torna-se visível no nosso corpo e no mundo que nos rodeia o que antes o não era, percebendo-se o que está para lá dos nossos olhos na estrada, na saúde, na comida, nos documentos... Cresce a quantidade e circulação da informação disponível. E as possibilidades de inovação e os efeitos colaterais e sistémicos aumentam sem parar.