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Opinião

A Web Summit e o trabalho de casa

A Web Summit e o trabalho de casa

É sempre muito difícil avaliar os impactos e as consequências de um acontecimento com a dimensão da Web Summit. Principalmente, quando se querem medir na sua relação com o investimento realizado, que terá sido muito significativo. Em todo o caso, sendo enormes e mais evidentes os ganhos diretos, são incomensuráveis os ganhos indiretos. Os países precisam de montras com a exposição, à escala mundial, que a Web Summit assume. Por isso, aplaudo a sagacidade e a visão de quem a conseguiu trazer para Lisboa.

Outra coisa, muito diferente, será pensar-se que o essencial [está contida nela, que tudo] começa e se esgota aí. O que mais interessa é o trabalho de casa feito, antes e depois. O trabalho de casa desenvolvido pelas entidades governamentais, em termos de políticas públicas e de lógicas de incentivos apropriadas; pelas empresas no seu desejável afã de melhorar métodos de produção e gestão, de inovar em termos de produtos e marcas, de se internacionalizar e exportar mais, de se adaptar aos novos tempos digitais; e pelos centros tecnológicos, as universidades e a rede científica nacional, cumprindo a sua missão de produzir conhecimento novo, de o valorizar comercialmente e de conseguir a que ele chegue à economia.

Na Universidade de Aveiro, há muito vimos fazendo esse trabalho de casa, diário e persistente, de ligação entre o conhecimento e a economia. Como? Desde logo, disponibilizando à comunidade um conjunto amplo e diversificado de instrumentos que permitam criar boas dinâmicas de inovação: os estágios e projetos em empresas - mais de mil em cada ano; uma unidade de transferência de tecnologia, com um serviço de registo de patentes e marcas; disciplinas de empreendedorismo acessíveis a todos os alunos qualquer que seja o curso; um portfólio de competências e serviços, distribuído às empresas, em que se descrevem os equipamentos de tecnologia de ponta utilizáveis; uma estrutura de criação de novas empresas que já foi alargada territorialmente, na forma de incubadora da Região de Aveiro; uma dezena de plataformas tecnológicas, por setor de atividade, onde industriais e investigadores podem discutir, de uma maneira informal, os problemas que é preciso ultrapassar; uma escola doutoral que se empenha no desenho de doutoramentos em ambiente empresarial e em torno de desafios concretos da indústria; e um Parque de Ciência e Inovação, contíguo à Universidade e com quase vinte parceiros, públicos e privados, representativos de várias áreas.

Outras instituições de Ensino Superior têm mecanismos comparáveis e mostram similar empenho. Se todos os agentes fizerem esse trabalho de casa em prol da convergência de fatores, do aprofundamento da cooperação institucional - com grandes empresas mas também com empresas mais pequenas - e de melhores políticas públicas, há razões para ser otimista: à espera da próxima Web Summit!

* REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

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