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Acesso ao Ensino Superior: como escolher?

Acesso ao Ensino Superior: como escolher?

Estamos em pleno período de candidaturas ao Ensino Superior. É oportuno voltar a sublinhar que o país tem ainda um caminho a percorrer no que se refere ao objetivo 2020 da União Europeia para o número de diplomados: há que continuar a educar e formar mais portugueses! Vale a pena, por isso, insistir no valor das qualificações superiores. Porque elas permitem, em média, menor tempo à espera do primeiro emprego, mais e melhores oportunidades de colocação, remunerações mais elevadas. Já sem falar no valor acrescido que acarreta em termos de cidadania e de enriquecimento do tecido social.

Coloca-se o problema de que curso, em que instituição, escolher. Importa, naturalmente, olhar para a empregabilidade e para a adequação do curso ao mercado de trabalho. Mas este critério tem sido empolado de uma maneira excessiva, descurando a qualidade do que se aprende, como se aprende e com quem se aprende. Descurando, igualmente, a natureza mutável do próprio mercado de trabalho e o que se exige face a novas tendências: flexibilidade, proatividade, outras competências ligadas ao comportamento e à inteligência emocional, domínio de línguas...

Assim sendo, será pertinente olhar não tanto para o curso mas mais para a instituição. Procurando universidades ou institutos politécnicos que tenham uma relação forte com a indústria e outros setores de atividade; que promovam uma política abrangente de estágios, facilitadora da inserção dos estudantes na vida profissional; que detenham um contexto internacional, cosmopolita e de multiculturalidade, essencial no que respeita à educação global de cada um e à abertura de horizontes e oportunidades, num Mundo que se globaliza e diversifica; e que fomentem e disponibilizem a aprendizagem de um leque alargado de línguas. Olhando para a qualidade dos professores; para o ambiente humano que se vive; para o sistema de acompanhamento, em termos de ação social, de tutorias e de relações de proximidade, que está instalado. Verificando se as dinâmicas de aprendizagem envolvem adequados contextos de investigação e de comunicação de ciência, no sentido mais amplo desta. Cuidando de observar como o apoio ao desporto, às práticas culturais e ao mérito são encarados na instituição. Tudo conta porque tudo pode ser determinante no futuro do aluno.

Resta a questão da vocação. O sonho comanda a vida é uma linha que não devemos esquecer. A qual não pode, no entanto, deixar de ser compatibilizada com uma questão que cada candidato deve colocar a si próprio: em que área é que, com as competências que vou adquirir, posso fazer a diferença? O sistema de acesso ao Ensino Superior pode ter as suas deficiências, mas possui, também, as suas virtudes, traduzidas em estabilidade das regras do jogo, possibilidade de opções múltiplas sem provas adicionais e cuidado com a coesão do todo nacional. Portugal tem excelentes universidades que, ao contrário do que por vezes se faz constar, podem dar muito a quem as escolhe. Boas escolhas!

*REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

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