Opinião

Em nome da Ciência, a favor de todos

Em nome da Ciência, a favor de todos

Os avanços da tecnologia vêm determinando um mundo em acelerada mudança: novas oportunidades na produção de bens e nos serviços; novos mercados; desafios distintos nas relações com o ambiente e com o Estado; grandes alterações nos modos de trabalho e nos comportamentos individuais e coletivos. Torna-se visível no nosso corpo e no mundo que nos rodeia o que antes o não era, percebendo-se o que está para lá dos nossos olhos na estrada, na saúde, na comida, nos documentos... Cresce a quantidade e circulação da informação disponível. E as possibilidades de inovação e os efeitos colaterais e sistémicos aumentam sem parar.

Conectividade e interação máquina a máquina e Internet das coisas; impressão 3D, incluindo; sensores por fotónica para deteção instantânea da poluição ambiental; nova aquacultura, combinando piscicultura e cultivo de plantas, e sistemas aquapónicos de produção de alimentos; veículos autónomos e drones; hyperimaging e tecnologias de computação cognitivas; dinheiro virtual, etc., são ideias, já aí, que estão a revolucionar as nossas vidas. E que dizer dos lab-on--a-chip portáteis para rastreio de doenças nas biopartículas dos nossos fluidos; ou das roupas e têxteis inteligentes bem como de outros dispositivos sensoriais junto ao corpo; ou da avaliação da saúde mental a partir de padrões de oralidade e de escrita? A par das novas formas de ensinar e aprender; de armazenar e distribuir energia; de organizar informação sobre o mundo físico - "macroscopia"-; de integrar informação e tecnologias nas nossas casas - que assim se tornam "Inteligentes e Verdes" -, ou nas nossas urbes, permitindo-lhes respostas mais rápidas às alterações económicas e demográficas, a gestão de sistemas complexos com diferentes organizações de múltiplas tipologias e, assim, fazer delas "Cidades Inteligentes".

Num tal contexto, em que a velocidade a que o tempo corre acarreta um grau de incerteza crescente, fazer as perguntas certas para antecipar novos desenvolvimentos e mudanças é essencial. Impõe-se a necessidade de prestar atenção à Ciência. O que não é descurado pelas grandes empresas. Iniciativas como Machina Research da Nokia ou IBM 5 in 5 são bons casos entre muitos outros. Na esfera pública, em que o horizonte temporal dos políticos não é mais longo do que o respetivo ciclo eleitoral, o assunto fia mais fino: como pensar a sério, nessas condições, um futuro projetado a um prazo mais longínquo?

É aqui que o Parlamento Europeu e o seu Science and Technology Options Assessment - já com trinta anos - poderão ser olhados como um exemplo da assessoria científica que necessariamente deve acompanhar sempre os decisores de políticas públicas. Porque é fundamental que estas não sejam obsoletas face às novas tecnologias e às evidências científicas já estabelecidas; e que as iniciativas, políticas e leis antecipem a mudança em termos das oportunidades mas também das ameaças, entendam o potencial de inovação inerente a cada caso e contenham os graus de flexibilidade e adaptabilidade imprescindíveis à sua boa concretização.

REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

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