Opinião

Hoje é o futuro

O início de um novo ano é um momento, tradicionalmente, usado para fazer balanços e referir desejos, avançar previsões ou enumerar desafios. Faz parte de nós próprios essa necessidade de renovação mesmo que, sem grande surpresa, as promessas que fazemos e os compromissos que dizemos assumir se desvaneçam, muitas vezes, mais depressa que o decorrer do próprio ano. Ainda assim, não fugirei ao hábito e enuncio sete prioridades para o nosso país, no tempo que já estamos a viver:

i) Reforçar a nossa posição económica pondo cuidados especiais na diversificação das exportações, em termos de produtos e destinos; na inovação, incluindo processos, design e resposta aos desafios trazidos pela indústria 4.0; e na atração de investimento, tirando também partido de sermos um país na moda.

ii) Valorizar os recursos humanos, desenvolvendo o capital de qualificação e de talento imprescindível para enfrentar as questões que as novas sociedades vão suscitando. A promoção de novas lideranças constitui uma parte essencial dessa melhor formação e educação de todos.

iii) Fortalecer o ensino, a investigação e a transferência de conhecimento e de tecnologia, cientes de que, atualmente, a fonte de riqueza mais importante é o conhecimento e não mais as matérias-primas. Conhecimento que se assume como bem estratégico para um país.

iv) Apostar num serviço público de qualidade que, particularmente, abarque mais e melhor prestação de cuidados de saúde, dinâmicas de proteção social com atenção redobrada aos mais desfavorecidos e fragilizados, e soluções apropriadas para fazer face ao aumento da esperança média de vida.

v) Proteger o Planeta da nossa própria ação, travando a sua deterioração e a poluição generalizada. Através da defesa da qualidade do ar, pondo fim à delapidação dos recursos naturais, preservando o solo e os oceanos, prestando atenção às alterações climáticas. Como disse o presidente Macron: "Não há plano B porque não há Planeta B".

vi) Olhar para a questão da cibersegurança, protegendo-nos a nós próprios da nossa atuação e poder. A digitalização de todos os setores da atividade humana, por um lado, e a acumulação, processamento e transmissão de dados e informação, por outro, torna-nos muito vulneráveis aos códigos de software perniciosos que se podem assumir como autênticas "bombas lógicas".

vii) Apostar na coesão do todo nacional: criando polos atrativos no interior; desconcentrando e descentralizando, verdadeiramente, responsabilidades e serviços; tomando medidas que corrijam as assimetrias demográficas; implementando instrumentos adequados ao ordenamento do território.

Um excelente 2018!

* REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO