Opinião

Inovar no concreto

Inaugura-se hoje mesmo, em Ílhavo, o Creative Science Park da Região de Aveiro (PCI). Trata-se de um parque de ciência e inovação com características únicas no país. Pelo absoluto envolvimento, formal e efetivo, da Comunidade Intermunicipal - CIRA, sócio mais determinante a seguir à Universidade de Aveiro. Pela composição acionista, variada e heterogénea, na qual nenhuma entidade detém posição maioritária e que inclui, para além daqueles parceiros e de naturalmente empresas, associações industriais, câmaras municipais, instituições financeiras e outras (num total de 19 sócios), que asseguram a participação equilibrada do conhecimento, do tecido empresarial e do território. Pela contiguidade ao Campus Universitário (e ao Hospital de Aveiro), condição essencial para as desejáveis interações entre empreendedores e investigadores. Pela localização nas margens da ria, que garante a proteção ambiental de um espaço nobre, de exceção, e fará dele um lugar privilegiado de fruição paisagística e de convívio com a natureza, aberto aos cidadãos.

O parque vai integrar, a par de empresas, laboratórios de uso comum, serviços partilhados de apoio, uma incubadora e uma Design Factory, interface de integração de saberes e atores distintos, determinante na concretização de projetos colaborativos e que visem novas soluções com valor de mercado. Do mesmo modo que o PCI estará em conexão com as áreas de acolhimento empresarial dos municípios da CIRA, a Incubadora da Universidade de Aveiro, nele instalada, continuará a dar coerência à IERA - Incubadora de Empresas da Região de Aveiro, com polos em cada um dos 11 municípios e que constitui outra marca distintiva da relação da UA com a região onde se insere.

Desde o primeiro momento, o Creative Science Park vai contar com três edifícios - um já completamente lotado -, mais de 60 empresas e projetos, e cerca de 400 pessoas para, aí, trabalharem diariamente. Mais do que refletir as dinâmicas já instaladas, de relacionamento singular entre a universidade, o setor produtivo e os responsáveis regionais, e a capacidade da própria região, quer-se que o PCI assuma um papel decisivo enquanto plataforma da atividade empreendedora da região, potenciando novas dinâmicas, induzindo atração e fixação de talento, multiplicando inovação e criatividade; as quais são fatores que garantirão maior criação de riqueza, mais desenvolvimento e melhor qualidade de vida. É, afinal de contas, para isso que as universidades também, cada vez mais, servem.

*REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO