Opinião

Medir o impacto do conhecimento

Medir o impacto do conhecimento

A importância do conhecimento tem vindo a ser reconhecida e apropriada por crescentes (amplas/largas) camadas da população. Ao que vem associado o modo positivo como as instituições de Ensino Superior são, em geral e crescentemente, encaradas. Estamos já longe de leituras menos favoráveis que, ainda há pouco, eram frequentes entre nós. Para tal concorre, também, a transparência com que as universidades levam a cabo a sua missão, sendo hoje as entidades mais escrutinadas da sociedade portuguesa: Ministério das Finanças, Tribunal de Contas, Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Auditores Europeus, Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior, Fundação para a Ciência e Tecnologia, a par de órgãos internos como o Conselho Geral e o Fiscal Único, entre outros, todos olham para o que é e como é feito. Num mundo muito dominado por episódios menos abonatórios, conta, igualmente, a forma como as universidades públicas portuguesas têm sabido fazer uma gestão rigorosa dos financiamentos que recebem, sem escândalos ou casos de corrupção assinaláveis. A que acresce a abertura à sociedade que as rodeia e a captação de fundos complementares que, através de atividade relevante, as universidades têm sabido levar a cabo. As Torres de Marfim têm as suas portas já bem franqueadas!

Existe a perceção de que as universidades vêm educando e formando com superior qualidade - basta ver o que dizem sobre a qualidade dos engenheiros portugueses, os gestores das maiores empresas ou o sucesso e a aceitação que, na generalidade, os profissionais portugueses colhem no estrangeiro -; de que vêm desenvolvendo investigação de crescente relevância, como se documenta nos rankings ou nas patentes protegidas; de que vêm trabalhando cada vez melhor no domínio da cooperação com a sociedade, como são evidências o maior número e alcance de projetos com a indústria ou as autarquias e a incubação de novas empresas. Mesmo sendo tudo isto verdade, mantém-se a necessidade de trabalharmos para ser possível medir melhor, quantificar ainda mais, o contributo das universidades: impacto na economia e na criação de riqueza, mas também na área social e, em particular, na cultura, cada vez mais decisiva no desenvolvimento de sociedades mais humanizadas e com melhor qualidade de vida.

Com a densificação e a quantificação mais efetivas desse impacto ganharemos todos: as universidades, porque será majorada a sua importância aos olhos de cada um, com o consequente acréscimo de condições que lhe serão proporcionadas para aprofundar a sua missão; e, em resultado disso, a sociedade em geral, afinal de contas a única razão de ser das universidades.

REITOR DA UNIVERSIDADE DE AVEIRO

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