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A ameaça que aquece as férias

A ameaça que aquece as férias

Quem regressa de férias não pode ter deixado de sentir uma estranha, às vezes perigosamente agradável, sensação de mudança. De mudança dos locais, dos seus mares, das suas temperaturas, das suas noites e dos seus dias.

O Mediterrâneo bateu recordes de temperaturas máximas (27,47 graus), mais quatro ou cinco graus do que seria normal para esta época do ano. Sabe-se que em Maiorca e em algumas zonas da Sardenha se regista um fenómeno de mortalidade maciça de algumas espécies. Ouvimos por aí que este ano a água está boa, mesmo nos locais onde é costume ter cãibras nos pés quando se avalia o mar antes de ir a banhos. A explicação parece clara.

Mas, neste regresso, também paira uma sensação de incómodo e de algum desassossego. Ao virar da esquina, mesmo de algumas das maiores estradas do país, a mata e a floresta estão, mais uma vez, vestidas de luto. Desta vez, um luto ainda mais carregado estendido ao longo de quilómetros. Tal como para a água quente, a explicação também parece clara. Chamam-lhe alterações climáticas. Porventura, as sensações que sentimos não se devem todas a elas. Mas explicam uma grande parte. Se o tema não é encarado com a urgência devida, os alertas do secretário-geral da ONU correm o risco de deixar de ser alertas. A humanidade está a "caminhar para uma catástrofe climática" e a "cavar a própria cova", lembrou António Guterres.

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A ameaça aqueceu as férias de alguns de nós, mesmo que não tivéssemos tido essa consciência. Entramos neste fim de semana com uma nova vaga de calor. E não é só mais uma boa oportunidade para ir à praia. É, no nosso caso, mais uma preocupação para milhares de portugueses.

Para quem inicia férias, vale a pena estar atento à paisagem que nos rodeia. Para o ano, não deverá ser igual.

*Diretor-adjunto

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