Opinião

A app Covid e a teoria da conspiração

A app Covid e a teoria da conspiração

Se dúvidas houvesse quanto à importância da aplicação StayAway Covid, as chamadas de contactos identificados através da ferramenta informática que começaram a chegar à linha SNS 24 acabaram com as incertezas.

Os últimos números conhecidos dizem que foram 20 pessoas. Parece curto? Sim. Mas provavelmente já bloquearam uns quantos surtos. E depois da campanha que vaticinou o fim da privacidade dos portugueses, a aplicação já demonstrou que vale a pena.

Num momento em que todos nos preocupamos com a privacidade dos nossos dados pessoais, é legítimo que a instalação da aplicação cause dúvidas e apreensão. Mas é apenas legítimo. Na verdade, descarregar e correr a app nos telemóveis é bem menos intrusivo do que a maior parte das ações que fazemos online, deixando, aqui sim, uma boa pegada digital. Para não falar de conteúdos que partilhamos todos os dias nas redes sociais, abrindo a porta da nossa intimidade a qualquer um.

É preciso deixar claro que não há nada que o Governo queira saber de nós que já não saiba. Para desmistificar a velha teoria da conspiração.

Não temos nenhuma razão para duvidar da boa-fé dos programadores da app. A reputação do INESC TEC fala por si. Mas reforçar e garantir que em momento algum tem acesso à nossa identidade, como o fez o primeiro-ministro, nunca é demais. Aliás, quando este receio é alimentado por pessoas ou instituições reconhecidas, que mantêm ironicamente os seus perfis no Facebook mesmo depois de todos os escândalos, é mesmo importante fazê-lo. Os argumentos para não instalar esta app têm de ser melhores do que a suposta perda de privacidade.

É também necessário que a ferramenta seja transversal. Só pode desempenhar um papel importante se o seu uso for massivo. Que chegue a todos, incluindo aos mais idosos e a quem não pode pagar. Há um gigantesco trabalho a fazer, a começar por acelerar a tal tarifa social nos serviços de Internet. Temos no Governo uma pasta de transição digital. É preciso que se conecte mais com os portugueses. Com todos.

* Subdiretor

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