Opinião

A culpa das mortes nos ombros de Bolsonaro

A culpa das mortes nos ombros de Bolsonaro

Jair Bolsonaro pode esconder os mortos. Mas não pode encobrir o seu falhanço no combate à covid-19, mesmo que nos queira distrair com a intenção de abandonar a Organização Mundial de Saúde.

O Brasil vive uma tragédia. Não apenas nos números. Estes, os que não se ocultam, cheiram a morte. O país ocupa a segunda posição mundial face ao número de casos diagnosticados e a terceira em vítimas mortais - quatro dias consecutivos com mais de mil.

E as palavras, as dele, a morte cheiram também. "Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre". "Até porque o brasileiro tem que ser estudado. Ele não pega nada". "Está morrendo gente? Tá. Lamento. Mas vai morrer muito, muito, mas muito mais".

O infeliz discurso é mais longo e nem o "amigo" Donald Trump minimiza a irresponsabilidade de Jair Bolsonaro: "Se tivesse agido como o Brasil, os EUA chegariam a 2,5 milhões de mortos". Entende-se, portanto, quem defenda a necessidade de uma investigação psiquiátrica ao presidente do Brasil.

Como também as duas queixas apresentadas no Tribunal Penal Internacional, uma delas por "crime contra a humanidade" pela sua conduta durante a pandemia. A eventual saída do Brasil da OMS é também mais um problema para a organização.

Já sem os fundos dos EUA, a precisar de mais 1,2 mil milhões de euros para aplicar o seu plano de combate à covid-19 e debaixo de acusações sobre influência da China no organismo, adivinham-se dias difíceis para o seu diretor-geral. Pena é que, os seus erros e contradições, possam de alguma forma servir para ajudar a narrativa dos populistas desta vida.

Esperemos, pelo menos, que a avaliação independente da resposta da OMS à pandemia nunca sustente sequer um ponto das teses de Trump e Bolsonaro. Até lá, teremos de conviver com a doença e com este tipo de líderes, que, assim como a covid-19, são difíceis de desinfetar.

*Diretor-adjunto

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