Opinião

A desculpa das feministas

A desculpa das feministas

O filme "Manobras na Casa Branca" antecipou as fake news em duas décadas. Mas não só. A história, interpretada por Dustin Hoffman e Robert de Niro, mostra que se algum acontecimento não tiver palco mediático não existe. Ontem nas televisões, hoje nas redes sociais.

A obra cinematográfica é sobre uma guerra inventada para encobrir um escândalo de um presidente. Prova que é possível falsear o que quer que seja e que se estamos a assistir a um acontecimento na televisão é porque é verdade. Ou melhor, era. Hoje, só é validado se passar nas redes sociais. Se não passa, será que é irrelevante?

Infelizmente é. Para muitos cidadãos e, pior, para muitas organizações, aquilo que não está nas redes sociais não existe. Foi com este o argumento que o movimento "Juntas" reagiu às críticas do bispo do Porto dirigidas às organizações feministas que não vieram a público condenar o homicídio e violação da freira de S. João da Madeira. "Esta foi uma notícia que não entrou nas redes", desculparam-se estas feministas.

E só por isso não são, portanto, feministas, mas sim agentes passivos do Facebook e Instagram que não consomem informação credível. Pior do que desconhecerem o que tinha acontecido, pior do que não se terem manifestado sobre este terrível crime, é acharem que o argumento de que a notícia não passou nas redes, e por isso não se manifestaram, era um fundamento sério e válido.

Esta é a pura e a dura realidade. Se não passa nas redes, então não existe. E este facto devia concentrar mais a energia e atenção de todos nós, incluindo a dos políticos que defendem a punição de jornalistas que violem o segredo de justiça ou que consideram alarmistas os jornais que divulgaram o caso das golas antifumo.

É que, por muitas manobras, manipulações ou fake news, a verdade ainda se impõe. O que é preciso é ter a sabedoria para a procurar e não nos limitarmos a consumir informação de plástico.

* DIRETOR-ADJUNTO